sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Memórias do Gomes. Parte 3

Jornal Diário do Povo, fevereiro de 1976. Na volta as aulas, minha chegada na 5ª série com direito a foto na capa do jornal. Flagrado prestes a "tomar uma caneta" na quadra do meu então amigo Carlos.
Uma das ruas laterais da escola Carlos Gomes, a Rua General Osório abriga um grande centro comercial. Nos idos anos 70, em início de ano letivo, lá iam "procissões" de mães rumo às papelarias e livrarias comprar o "arsenal" do material escolar. Nada do governo ajudar como nos dias atuais. Ganha-se de tudo hoje. Livros, mochilas, kit de material escolar completo com cadernos, lápis, borracha, compasso, cola e até livros de literatura. Sem contar Passe Escolar, Passe Gratuito e merenda. Mas naqueles anos, eram os míseros trocados dos pais que subsidiavam, às vezes a prestação o material a ser usado no ano. Voltando a General Osório, a papelaria mais famosa e central era a Nossa Casa. Hoje no mesmo endereço existe comércio similar, mas com outros proprietários. Lá fui eu em uma perdida tarde de março de 1976 com minha mãe. Estávamos munidos da lista que a escola pedira e a desconfiança que a tal "inflação" talvez não permitisse muito luxo no material. Me lembro que o comércio estava lotado. Gente pra tudo quanto é lado. Filas para fazer o pedido. Filas para pagar no caixa. Aliás, os donos lá ficavam. Eram dois sujeitos obesos. Mas obesos mesmo. Suavam às bicas apesar dos ventiladores voltados para suas cabeças. O calor forte do verão não perdoava. Eu paquerava as mochilas mais legais. Eram as que traziam desenhadas os carrinhos da Matchbox (se fosse hoje, Hotwells). Mas eram caras! Desejava um estojo todo bacana de madeira com divisórias internas para o apontador, a borracha, os lápis, os de cor enfim. A tampa tinha um desenho de um barco todo estilizado pra corridas aquáticas. Tinha outro que era uma foto de um dragster! Ah! Como desde essa época eu adorava os carros! Mas tudo muito caro. Todo ano era a mesma coisa. Ficávamos horas para sermos atendidos. Mas neste ano de 1976, ficou na minha lembrança. Depois de separar o material, feitas as contas, fomos para a fila do caixa. Me lembro que um daqueles gordos (ah! desculpe, obesos), chamou minha mãe e tascou: "Oitenta e dois Cruzeiros dona!" Minha mãe meio que sem jeito ficou muda por instantes. Olhou para trás, calculou a fila que a espreitava e tentou: "Ihh moço, só tenho oitenta, posso pagar o resto depois?" Minha memória deletou o que o sujeito respondeu pra minha mãe. Mas foi algo ruim e indelicado que me fez dizer na hora: "Gordo filho da p@#*a, minha mãe disse que depois dá o dinheiro!" Não houve jeito. Além de não ceder na proposta de minha mãe ele recuou na venda depois do meu comentário. Me lembro que ela chorou neste dia. Um desapontamento de mãe, talvez com vários motivos. Pouco dinheiro, altos custos para me manter estudando e porque não a "boca suja" do filho! Foi meu pai, na época um metalúrgico que foi lá e resolveu a parada. Pagou a vista o material e reafirmou do jeito dele o que o filho dissera um dia antes. E que não justificava a recusa da venda, já que todo ano comprávamos lá. Detalhe. Na época não havia Procon, mas meu pai carregava na Kombi algo que talvez tivesse maior efeito. Um "senhor" facão que era usado apenas para os serviços braçais. Mas duvido que não fizesse as vezes de um Serviço de Atendimento ao Consumidor. Meu pai era meio "estourado", mas sempre dentro do que ele denominara "estar na razão." Aquele ano, aquela quinta série foi talvez o ano mais delicioso de escola. Quanta coisa legal pra um adolescente dos anos 70! Surgia a Disco Music, a Globo lançava a primeira versão do Sítio do Picapau Amarelo, aos sábados não perdíamos um episódio de Harold Loyd e Star Lost, série sobre espaço nunca mais reprisada. Nas aulas muitas novidades, vários professores novos e as meninas! Ah! As meninas...Nas bancas de jornal era mania a compra de times de futebol de botão em envelopes como se fossem figurinhas. Criávamos torneios na escola e brincávamos nos finais de semana. Se dentro dos muros da escola Carlos Gomes, havia o acesso para o conhecimento, foi nas ruas envolta dela que fatos como o vivido na papelaria Nossa Casa que nos fez compreender que entrávamos na adolescência.
Ah se essas salas falassem. Quanta bagunça e paquera naquela 5ª série à tarde....

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Boxe, cinema e vidas nocauteadas!

Produzi uma série de textos sobre Boxe e Cinema em meu antigo blog donideias009, como já explicado tirados do ar juntamente com todos os outros blogs, administrados pelo portal IG. Parte dos textos eu tinha backupeado. Outra, como é o caso deste post, os reescrevo, como condição inegociável de eternização de tudo que aprendi sobre o tema.
As glórias do boxe ocultam a face mais cruel da vida de seus lutadores. O nocaute vem no round da idade e do esquecimento.

É óbvio que toda manifestação de violência tem uma natureza assustadora, por quem preza o bom senso e a passividade nas relações humanas. Principalmente quando tais "espetáculos" são eternizados pelas artes. O boxe enquanto esporte, apesar dos brutais contatos físicos, ganhou ao longo do século XX, um certo glamour. Os punhos de grandes nomes foram eternizados nos anais da História. Mesmo o mais alienado da área ouviu em algum momento de sua vida, nomes como Muhammad Ali, Jack Johnson, Rocky Marciano, Rocky Balboa, Foreman, Hollyfield, Lennox Lewis e Mike Tyson.  Mas o reconhecimento de seus jabes, cruzados e nocautes vieram com a mesma velocidade com que repercutiram suas sofridas vidas. Mesmo em períodos onde os meios de comunicação não tinham a mesma rapidez dos dias atuais. Os conflitos religiosos de Ali, os problemas com a máfia dos lutadores famosos da primeira metade do século XX até os crimes punidos com prisão de Tyson, não faltam episódios. Robert "Rocky" Balboa, ao contrário do que muitos imaginam, não foi apenas um personagem de franquia levada aos cinemas por Sylvester Stallone. Balboa de fato existiu. Talvez no espírito de Rocky, uma centena de boxeadores tenham alternado suas vidas pelos ringues e em trabalhos pesados. Ajudantes em todas as profissões. Essenciais a si mesmos entre as cordas dos ringues. Os 6 filmes sobre Balboa renderam milhões de dólares a Stallone e segue uma cronologia de vida de um boxeador que sai do anonimato de um sombrio bairro da Filadélfia dos anos 70, vive seu auge nos anos 80 e entra em franca decadência nos anos 90. A finalização da série se dá com o lutador sexagenário, dono de um restaurante na periferia da mesma Filadélfia. Esquecido e doente, é manipulado pelos agenciadores de lutas, patrocinadores e por uma legião de párias que sempre ganharam muito dinheiro com o esporte, sem nunca terem pisado num ringue. Dinheiro, família, religião e conflitos sempre acompanharam a vida dos boxeadores famosos. Muhammad Ali, além de grande habilidade nos punhos, tinha uma língua feroz. Contestou fora das cordas seu ódio pelo racismo, seu inconformismo com a Guerra do Vietnã, tornando-se um ícone não apenas dos esporte mas da política do seu pais. "Nenhum vietcongue me chamou de crioulo, porque eu lutaria contra ele?". Poderia haver protesto maior contra o conflito? Sim, na recusa do alistamento para ir à guerra. Outro feito de Muhammad Ali. A luta do mesmo no então Zaire contra George Foreman foi outra grande manifestação política de Cassius Clay (nome real de Ali antes de sua polêmica conversão ao Islã). A luta contra Foreman em terras do continente africano, abriu uma fase de compreensão dos conflitos raciais nos EUA, mais tarde denominado pan-africanismo. O documentário "Quando Éramos Reis" (1974) é obrigatório para qualquer estudo que faça a fusão do boxe, da política e da personalidade de cada lutador. A imagem que ilustra este post, logo acima, trata de outra produção dos cinemas que busca no boxe novas dimensões para o que tratamos até aqui. Um repórter Erik envolve-se na vida de um homeless (sem-teto). Surge na mente do repórter o deslumbramento de em suas pesquisas a descoberta de que o indigente seja Bob Satterfield, uma lenda do boxe, que todos acreditavam estar morto. A imersão na vida do provável boxeador resgata para o repórter possibilidades de produzir uma grande matéria, resgatando a história de um campeão. O fascínio mescla-se com a farsa e com a idealização de que todo boxeador famoso termina seus dias após os maiores nocautes de suas vidas. O da idade e do esquecimento. Mas tais caminhos não são monopólio apenas dos boxeadores. Atingem também as vidas de pessoas "normais" como Tommy Kincaid, que um dia sonhou com os louros e as fortunas do boxe. Mas, encontrou a crueldade das dificuldades típicas a qualquer ser humano.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Sem dúvidas no ar (Futebobos 16)

O texto abaixo foi postado em meu antigo blog, o donideias009, em 12 de junho de 2010. Portanto, no início da Copa da África. A do Brasil está às portas. O tema no momento, também ressurge após as trágicas imagens da selvageria do jogo entre o Atlético Paranaense e Vasco da Gama em Joinville (SC). De tudo que acumulei de leituras sobre as atitudes pernósticas do futebol, aqui vou escrever com todo gosto.
Ah! Não vejo a hora da Copa começar! Afinal não basta ser feito de otário só com impostos, péssimos serviços públicos, violência....
Faço parte do zero vírgula zero “alguma coisa” por cento, que não dá a mínima para futebol e tão pouco Copa do Mundo! Sendo assim, na atual conjuntura sou classificado pelo senso comum reinante nestas paragens tupiniquins, “do contra“, “chato“, “não patriota” e outras bobagens! Futebol é uma das poucas coisas que na vida “desaprendi” a admirar e gostar. Poderia aqui contar mil historinhas de vida que provariam ao caro leitor, que futebol é algo muito irrelevante para mim, mesmo em épocas de jogos da seleção válidos para a Copa do Mundo! As melhores lembranças que tenho do futebol vem na realidade das maravilhosas crônicas de Nelson Rodrigues. Escritor, dramaturgo e jornalista escreveu as principais obras do gênero; “À Sombra das Chuteiras Imortais“, “A Pátria em Chuteiras“, “Fla-Flu e as Multidões Despertaram.” Torcedor e cronista do futebol, traduziu como ninguém a “neuras” que domina o povo em épocas de Copa do Mundo. Assim ele escreveu “A Pátria em Chuteiras”; “A partir do segundo gol, algo mdou no destino do Brasil. Este começou a ser uma grande potência. E, hoje, acordamos, todo com a fronte erguida e fatal dos profetas. Neste momento, a crioulinha, a favelada e descalça, tem um halo de Joana d’Arc. E o brasileiro pé rapado, mais borra-botas, enrola-se num manto como um Rei Lear.”(Fatos & Fotos, 16/06/1962) Desta forma comentou um jogo da seleção brasileira na Copa de 1962. Descobri então que há vida inteligente neste país, mesmo vindo do futebol!

sábado, 7 de dezembro de 2013

Allegro ma no troppo



Também publicado no Facebook 07/12/2013

"E aí historiador? Nenhuma linha sobre a morte do Madiba?" Em tempos de profunda comoção pela perda de um ícone de época, pouco se contesta e muito se superdimensiona seus feitos. Quem seria qualquer um de nós a questionar os feitos de um dos maiores líderes do século XX? Obviamente que lutando pela igualdade racial envolveu-se até o pescoço com a política. E nesse viés imediatamente à sua libertação da prisão, tornou-se governante de uma das principais nações do continente africano. Após 40 anos de segregação, o país elege o primeiro presidente negro de sua história. Se de ponto de vista racial e social seu governo é lembrado pelas profundas reformas, do ponto de vista econômico e social seu governo foi pífio, horrendo! Nada de distribuição de renda aos negros que passaram a gozar de igualdade racial. Aliás os negros e brancos ricos assim o continuaram pelos quatro anos de governo. Manteve-se uma política de mercado, concentrando renda e contrariando as expectativas do movimento sindical que aglutinara forças para sua eleição. Alertado sobre a epidemia da AIDS que se alastrava pelo continente, poucos recursos e forças mobilizou para o combate da doença que dizimava milhões! Em final de mandato Mandela equivocou-se na política internacional autorizando a invasão de Lesoto em nome da democracia local. Numericamente houve avanços nos investimentos em saúde e educação, mas nada que alterasse a penúria secular do povo. Critica-se muito também a pouca ênfase no julgamento e condenação dos executores do aparthaid. Aliás, manter Frederik De Klerk soou estranho para início de mandato, sendo este um dos algozes dos negros em anos anteriores. E vieram as crises "palacianas" com suas indicações aos ministérios do seu governo e as crises igualmente tão graves como as familiares. Bom, para evitar um "nem jesus cristo agradou todo mundo", convido a todos que pesquisem mais sobre o carismático líder que nos deixa. Evitem a sedução da mídia. Evitem o encantamento com as dancinhas locais que dão outra conotação ao sentimento de perda de um dos mais carismáticos líderes do século XX. 
Agora que esse bracinho erguido aí da foto é suspeito ah isso é mesmo! Não é mesmo Zé Dirceu?

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Post animado! Citação oportuna.

O texto abaixo foi originalmente publicado no blog donideias009 que ficou on line por dois anos até o portal IG extinguir o Blig. Aliás, perdi mais de 40 textos não backupeados antes do fechamento sem aviso prévio. Mas o post Toys foi inserido no blog em 11 de julho de 2010. Tinha acabado de assistir com meu filho mais novo. Como citei no texto sobre "Os Incríveis" que pessoas choraram na sessão da terceira parte da trilogia Toy Story, descrevi imediatamente ao ver o filme as causas destas lágrimas. A força de um roteiro bem escrito e de efeitos tão bem produzidos conseguem de fato incomodar os sentimentos dos que nas salas de cinema, procuram de fato, esse efeito mágico que só o cinema pode oferecer.

Cena 1. “Presos” sem condições de fuga, os personagens agonizam entre a violência das “brincadeiras” das crianças em Sunnyside e um cruel sistema de vigilância antifuga comandado por um líder radicalmente mau. Durante a noite, cada porta e corredor da creche têm os “olhos” do líder por meio de fanáticos seguidores. Um dos ”mocinhos” tenta a fuga, mas é pego. Torturado, sofre uma “lavagem” cerebral e volta-se contra seus próprios amigos.
Cena 2. Os amigos se entre olham perguntando-se; “E agora, o que faremos?” Sem respostas, todos se dão as mãos. O fogo do incinerador é cada vez mais próximo. O fim é questão de tempo. Termina ali, em um grande lixão, uma vida de aventuras, de loucas escapadas e grandes idéias. Lealdade, amizade e a certeza de até na morte o estar junto tornará os problemas menores, conforta o fim de todos.
Pois é! As cenas descritas acima, não foram extraídas de nenhum dramalhão contemporâneo. Filme policial, suspense ou guerra. Trata-se de Toy Story3. Eis que após 15 anos, a caminhada do caubói Woody e seus amigos chega ao final tendoAndy, seu dono, chegado ao fim da infância e adolescência e iniciando a vida adulta na faculdade. Ele organiza um ritual de despedida de seus brinquedos preferidos. Por circunstâncias incríveis, os brinquedos são doados para uma creche. A princípio para estes brinquedos que ganham vida nas telas do cinema, o que fora uma grande alternativa inicia na realidade um show de horrores, medos e tortura. Apesar da conotação de filme infantil, adultos como eu, acabam vendo o filme para levar os filhos.  A obra  também é voltada aos mais experientes. Há piadas de duplo sentido como nas cenas hilárias do relacionamento de Ken e Barbie, esta também vítima do abandono. Há cenas de forte conotação emotiva, extraindo do mundo imaginário da animação infantil, lições de vida. Toy Story tornou-se a meu ver, um clássico contemporâneo. Foram três filmes ao longo de 15 anos, sendo que do segundo para o atual, 11 anos de espera comprovam que valeu a pena a espera. Cinco premiações do Oscar e um faturamento próximo de 5,6 bilhões de dólares no mundo todo. O fato da terceira parte, trazer consigo a grande novidade do mundo com a tecnologia 3D, um roteiro minucioso e bem amarrado ainda são os pontos mais fortes do filme. Pudera. A terceira parte demorou quatro anos para ser produzida. 185 profissionais se envolveram no projeto. O resultado é um filme excelente para crianças e adultos que como eu saíram do cinema com certo “nó” na garganta mesmo sabendo que os brinquedos lá de casa não tem vida.
Autor: donizeteassis@superig.com.br - Categoria(s): NotíciasTags:

Sombria? É pouco! Depois se vendem esses filmes com rótulos "para crianças!"


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Beto e Helena Pêra. Flecha e Violeta Pêra.


A primeira década dos 2000, consolidou nos cinemas pelo mundo dois gêneros que se mantiveram na década seguinte. Os filmes de super heróis que saíram dos quadrinhos e foram para as telas. Duas fontes inesgotáveis deles podem ser lembrados em qualquer lista de melhores. DC Comics e Marvel. Hulk, Homem de Ferro, Batman, Homem Aranha, X Men, Thor, Capitão América e Os Vingadores pra começo de conversa. Um segundo segmento que tem arrastando multidões para os cinemas sem dúvida, são as animações. Que atire o primeiro mouse quem não se encantou com os deliciosos enredos e personagens produzidos pela Dreamworks e Pixar! Toy Story, Carros, Wall-E, Up! Altas Aventuras. Shrek, Gato de Botas, Wallace e Grommit (Aardman Animations), Robôs, Monstros S.A. e uma interminável lista de títulos que milhões de pessoas foram ver no cinema e tem cópias em DVD em suas casas. A magia de todos, além de uma criatividade visual impecável tem roteiros que encantam crianças e adultos. Quando Toy Story 3 estava em cartaz, ouvi gente chorando na sessão durante os momentos mais dramáticos dos brinquedos. Mas cinema é isso! Encantamento! Escrevendo esse post em razão de rever pela "enésima" vez a animação que julgo com alguns critérios baseados na crítica o que considero a melhor de todas essas animações. Produzida em 2004, pelos Estúdios de Animação Pixar e distribuída pelo mundo pela Walt Disney, "Os Incríveis" condensaram décadas dos filmes de ação, suspense em aventura numa animação ímpar!

"Cadê meu nome no título?"


Muitos dos filmes de super heróis exibidos nos últimos vinte anos, tem em partes de suas franquias, personagens com super poderes em crises existenciais. Vide Homem Aranha e Batman. "Os Incríveis", trazem alguns anos antes este elemento, focando uma família inteira em crise perdida entre ocultar seus poderes e frustradas tentativas de levar uma vida simples. Heróis aposentados. A animação transmite a exata essência deste fator e insere o tema "morte" dos super heróis. Aliás, "Os Incríveis" é piorneiro no uso de personagens humanos em animações e por incluir o fator "morte" para estes. Recebeu a classificação PG nos EUA por ocasião de seu lançamento no cinema. E se percebe diversas influências nas aventuras da família Pêra. Se assiste nos quase 100 minutos de filme, o clima por vezes "noir" de Missão Impossível, as invencionices espetaculares da franquia de James Bond 007, bem como dos cenários igualmente surreais. Drama, suspense, traições há uma infinidade de situações adultas entremeadas por piadas e tiradas geniais. Criada e dirigida por Brad Bird (também criador dos Simpsons), "Os Incríveis" arrecadou mais de 630 milhões de dólares ao custo de 92. Um sucesso arrasador. Uma das principais bilheterias da década. Trouxe personagens coadjuvantes que se perpetuaram como a estilista de heróis Edna Mode e outro herói bacana, Gelado. Criou e matou no final, um terrível vilão, o Síndrome. Não teve continuação, o que o diferenciou ainda mais de seus concorrentes. Cogitou-se uma continuação no final de 2011, mas sem confirmação. Quem assistiu entende o final como uma ponta de continuação. Poderia chamá-lo de clássico e por ser tão especial, creio que uma continuação talvez eliminasse um pouco dessa magia condensada numa única grande aventura de heróis que do auge, são aposentados por força de uma opinião pública cansada de seus atos. Heróis que entram em crise e forçados por circunstâncias muito particulares, voltam a utilizar seus super poderes, não para salvar o mundo e sim a si mesmos ou a instituição que mais riscos corre atualmente, a família.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Memórias do Gomes. Parte 2.

Foto pertence ao acervo: bruna-la-serra (fotografia)

Corriam os anos da década de 70. Obviamente, guardadas as proporções este anos se diferenciam cada momento histórico posterior. Mas afirmo com toda convicção que aqueles tempos eram bem melhores. Talvez mais simples. Menos exigentes. Com menos cuidados. Aquelas escadarias de madeira, os corredores gélidos com pisos quase espelhados com desenhos exclusivos e provavelmente de material importado para a Escola Carlos Gomes, abrigavam com toda segurança as crianças e adolescentes daqueles idos 70. "Vícios?" Sim, claro. Tínhamos os nossos. Colecionar figurinhas por exemplo. Álbuns como o do filme do King Kong (1976), dos jogadores das Copas do Mundo de 1970, 1974 e 1978, o álbum com figurinhas de metal, o chamado Chapinhas de Ouro com marcas de carro, de cigarro e atores do filme O Planeta dos Macacos. Ahh! Coitadinhas de nossas mães que não venciam nos dar dinheiro para sustentar esse "vício!" Eram nas redondezas da escola que trocávamos nossas figurinhas repetidas ou teimávamos perdê-las nas sessões de "bafo." Pasmem. O mais espertalhão da turma da 4ª e 5ª séries, era o Bráulio. Um garoto com pinta de bobão. Apesar da deficiência visual, nos tomava as figurinhas competindo sua esperteza com nossa ingenuidade. Mas óbvio que aula era aula. Dona Maria Alice, minha professora de 1ª e 2ª séries talvez seja co-responsável por parte de minhas perdas auditivas ao longo da infância. Como gritava! Me lembro da professora Glenda. Naquele ano de 1974, a escola Carlos Gomes entrou em reforma e fomos transferidos para as dependências do Instituto Alan Kardec na Avenida Anchieta, onde a "tia" Glenda tentou a todo custo concluir nosso processo de alfabetização. Mas olha como funcionava o cérebro dos moleques da época. Comentávamos na entrada e saída das aulas, as dicas da professora para as meninas. "Meninas! Já já vocês terão seios e portanto jamais fiquem arcadas com vergonha para escondê-los!" Puxa, "tia" Glenda! As dicas serviram para nós meninos prestarmos mais atenção nas meninas. Naquelas que mais rápido desenvolveram o que a senhora vivia dizendo! E foi a Jaque, que ganhou o torneio daquele ano! Mas aquelas duas jóias avantajadas, não foram para o "bico" de nenhum dos "curiosos" de plantão. Era só olhar e disfarçando bem, se não a Jaque brigava!  Me lembro daquele ano de conhecer pela primeira vez a "noia" dos brasileiros para os jogos da seleção. As aulas eram suspensas para os jogos da primeira fase da Copa do Mundo na Alemanha. Zaire, Escócia e Iugoslávia. O Brasil foi péssimo nos primeiros jogos e se classificou para a segunda fase, caindo aos pés da Argentina. Não me importei muito, porque o legal mesmo daqueles dias era não ter aula para ficar com os amigos. Entre eles o Messias. Briguento e eterno a candidato a "líder", era meu concorrente com a Helô! Ele era mais estiloso pelo cabelo loiro espanador (Ted Boy Marinho, lembra?), mas por ser chato demais, a Helô preferia mais ficar com o gordinho (Christoffer Croos, anos 80, lembra?) que também era estiloso pois caprichava no visual ao calçar um inédito Topper cano longo vermelho. Era a versão nacional do All Star, tênis oficial dos jogos de basquete pelo mundo. Nas aulas de Educação Física eu tentava com meu estiloso calçado pelo menos aparentar o famoso ídolo Oscar da seleção. E foi na nova quadra do Carlos Gomes as primeiras "cestadas" nas aulas de Educação Física com o professor Fefeco que em termos de chatice superou com uma distância considerável os berros da dona Maria Alice da 1ª série. 
Clássico do início de década.

Me arrependo até hoje de não ter guardado essa relíquia que com certeza foi um ícone destes deliciosos anos 70. 

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Leituras perturbadoras!

Foram três meses de leitura. Na realidade um período de estudos. A quantidade de tempo demandado para a leitura das 615 páginas, não foi imposta pelo excesso visível do dorso do livro, mas pelas centenas de links e notas do autor. "O Imbecil Coletivo", 1996, que li apenas na 4ª edição, já tinha me perturbado muito. Sempre amei a leitura e sua incrível capacidade de mobilizar meu ser. O problema de ter lido o primeiro livro de Olavo de Carvalho, foi que uma vez "contaminado" pela lucidez do autor mediante a imbecilidade planetária a respeito das diversas conjunturas que nos rodeiam, nunca encontrei uma interlocução para discutir as teses do autor. E olha que transito no meio docente a vinte longos anos. Aliás, na medida em que o tempo passou, esse grupo social, o da sala de aula, o "que prepara as novas gerações" nunca esteve tão indigente intelectualmente. Certa vez, antes da onda politicamente correta, levei o capítulo "Mentiras Gay" para debater com uma professora de Ciências de uma escoleta partiular que militava a favor da causa. Meus argumentos fundamentados pelo livro de Carvalho, sucumbiram a neura simplista do senso comum que impõe o "respeito ao próximo", que "deve-se se aceitar as pessoas como elas são..." e demais concepções chulas que assolam o meio docente, que há tempos abandonou a leitura e a pesquisa para formarem suas opiniões. "O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota", obra lançada este ano pela Editora Record é igualmente perturbador. Mas reafirma a tese que atravessa décadas em nossa cultura letrada que nunca fomos tão idiotas como nos tempos atuais. O mal estar na conclusão do livro, veio do fato que mesmo atento a esta "onda imbecilizante" e fugindo dela, ainda estou a "anos luz" de equilibrar minhas convicções e discutir a altura com o meio. Olavo de Carvalho além de um grande intelectual é de fato muito corajoso. Me lembro da celeuma causada no meio docente em 1999, quando declarou nas páginas amarelas da Veja e em entrevista à Revista Educação, que "Paulo Freire era um "tosco". Nesta obra de 2013, a seleção de artigos, em sua maioria extraídos do Diário do Comércio, Carvalho reafirma a corajosa provocação ao "deus' dos professores contemporâneos. Além de "tosco", Carvalho em um artigo de 19/12/12, reafirma que a geração formada no esquerdismo educacional da geração Freire, chegou ao poder até sem saber escrever corretamente. De fato, mea culpa! Parte dos meus 17 anos de sala de aula, fui responsável por "esquerdizar" minhas aulas de História. Mas não entendo estar "à direita" de nada por reconhecer isso. O problema é não reconhecer que todo conhecimento, quando transmitido deve procurar verificar diversas premissas. Só isso! Por preguiça intelectual em ler os autores que contestassem por fatos as teorias de esquerda sobre a História. Fui contaminado pelo petismo sufocante nas teorias educacionais. Sim! Somos um país de idiotas! Nossa cultura contemporânea é uma piada. Tudo está nivelado por baixo. Cultua-se a estética da miséria, da pobreza e se aceita qualquer coisa em nome da "inclusão social" apregoada pelos estertores da política lulista que tomou de assalto o pais há dez anos. Na conclusão do livro, a certeza do quanto estamos longe do ideal. Não se trata de conceber o mundo à direita ou a esquerda na política. Mas de se olhar com mais equilíbrio certas verdades apregoadas na mídia. Essas certezas que aparentam normalidade. Vamos lá! Aceitemos que nossos jovens formam um contingente de "nanicos intelectuais" que mal sabem escrever e quando muito, leem porcamente. Que a aceitação da onda gay, do aborto, da ditadura petista e suas bolsas são um cancro na história do país. Que nossas escolas são medíocres. Torram dinheiro público e não formam sequer, mão de obra barata para o mercado. Que aceitamos "qualquer coisa" como imposição de inclusão social, do aspecto do que tem que ser encarado como "popular", manifestação do povo. Ainda que isso seja uma afronta a construção cultural de nosso país. Achincalhe na música com os ritmos musicais onde moleques de periferia regurgitam qualquer bobagem e se tornam "artistas!" Achincalhe na tevê onde qualquer idiota semi-alfabetizado tem seus 15 segundos de fama. Sem contar a indigência no mundo da política. Eis meu maior peso de consciência. Por anos defendi e militei com essa gente de esquerda. E que toda violência atual vem do excesso de relativismo social imposto até no mundo jurídico, onde diante do fato de que existe no país muita desigualdade social, pode-se deixar impune o assassino, o estuprador, o sequestrador, os "dimenor!" Para finalizar, se você tem preguiça de pensar, afaste-se desta obra de Carvalho. É um tratado contra a idiotia reinante. É um alerta para uma retomada. Pior do que um idiota alienado é um idiota esclarecido que insiste na crença de que tudo está "assim", porque as coisas devem ser "assim!" Primeira argumentação de uma professora quando teci comentários a respeito do livro de Olavo de Carvalho.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Memórias do Gomes. Parte 1

Memórias de infância e adolescência realmente são mais fixas do que as lembranças dos fatos de pouco tempo atrás. Não tem jeito. Toda vez que passo a pé próximo do prédio da escola Carlos Gomes, elas voltam com insistente intensidade. Hoje, me parece menor. De fora, parece ter encolhido no paradoxo do passar do tempo e da auto percepção que se envelhece rápido. Mas aqueles dias dos anos 70, quando estava eu na condição de aluno no Primeiro Grau, nunca saíram da lembrança. E volta e meia vem os sonhos. Eu transitando pelos intermináveis corredores, ligando o auditório com o velho piano que diziam ter pertencido ao próprio músico que denominara a escola. Na entrada ao centro, pintado em escala gigantesca o quadro de Pedro Américo, "O Grito" separava as portas de acesso do auditório e dos consultórios dos dentistas. Na época, vejam só, tínhamos nossas arcadas mensalmente verificadas. Era como uma prova de uma disciplina qualquer. Uma vez reprovado, além da bronca da dentista, íamos nós tratarmos das cáries angariadas na degustação dos doces e balas adquiridas na cantina do então "tio" Célio. Um sujeito chato, rabugento, que volta e meia nos dava bronca por furarmos as filas, mas fazia um misto quente que sentíamos o cheiro da quadra. Custava uma "nota!" Uma vez por semana e olha lá! Às vezes nem isso!  Nos anos 70, Campinas, obviamente era bem mais calma. Podia-se sair da escola e ir a pé para casa. E não tinha lá grandes problemas ficar na rua até mais tarde. Ou de levar pra casa, a Heloísa, a gatinha da 5ª série que todo mundo queria namorar. Seus pais eram zeladores de um edifício na Moraes Salles. Me lembro de insistir em acompanhá-la até em casa. Mas ela nunca me permitiu uma "bitoca" que fosse! Fui mais feliz com a Juliana. A menina cheia de sardas que me derreti de paixão na 4ª série. A turma a achava feinha, mas nos apaixonamos. Tínhamos até uma música. Dos "sons" de fim de ano, quando rolava na vitrola a trilha sonora da novela Espelho Mágico da Rede Globo. Puxa Juliana, como foi gostoso dançar com você, Daybreack do Randy Bishop. Eu menti pra você naquele dia, quando respondi que era uma caneta no meu bolso. E foram naqueles corredores da escola Carlos Gomes que encontrávamos um espaço para "namorar"! Hei espere, um pouco. Namorar nesta época não passava de um simples papinho e quando no máximo pegar na mão. Quando muito sentar pertinho no laboratório de Ciência onde o prof° Renato, um estrangeiro que até hoje não consigo saber de onde, com um sotaque estranho, um avental branco de cientista e um cabelo pra lá de ensebado, insistia em lições quase incompreensíveis. Os pátios, os corredores, as portas, portões, saídas e entradas ficaram gravadas na mente. Tempos diferentes! Bons ou ruins tiveram suas particularidades, uma delas foi me mostrar o quanto a escola é importante na vida da gente. Principalmente nessa fase até os 14 anos. O que vem depois? Ah, porque depois? Porque não lembrar de mais momentos desses idílicos momentos? Era chegar em casa, "on" na tv. "Viagem ao Fundo do Mar", "Perdidos no Espaço", "Os Três Patetas", "Daniel Boone", "Vila Sésamo" e por aí ia a programação até lembrar que tinha lição de casa. Me lembro bem das duas decepções dadas aos meus pais com a reprovação na 4ª e 7ª série. Era um aluno medíocre! Gostava da escola, das meninas, de jogar bola nos intervalos, de trocar figurinhas...

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Um tempo de fúria.


Ao rever o excelente filme de Joel Shumacher, "Um Dia de Fúria" (Falling Down, 1993) me vem a mente uma avalanche de reflexões sobre estes tempos absurdamente violentos. Se você ainda não viu o filme, está perdendo a interpretação impecável de Michael Douglas no papel de um desempregado em seu último dia de vida numa Los Angeles abarrotada de contradições sociais, abrindo espaços para a fúria de um homem na busca inútil de retomar sua família. Sua causa é particular, mas tem que lidar com todo tipo de ser deturpado numa colcha de retalhos que contém marginalidade, fascismo, arrogância, prepotência e muita violência. "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas me convém. Todas as coisas me são lícitas, mas não me deixarei dominar por nenhuma." Está na Bíblia em I Coríntios, 6, 12. Um freio aos tementes. Não o caso de Willian Foster que a partir de um surto nervoso dentro do carro no congestionamento parte para uma vingança pessoal em cada obstáculo que o impede de chegar a festa de aniversário da filha. Quantas vezes, você como eu já tivemos a vontade de partir para as vias de fato com pessoas que nos cortam a fila? Nos fazem de palhaços no comércio com preços abusivos? Já se deparou com situações em que estarem te enganando é tão evidente que ultrapassa as raias do absurdo? A violência tem contornos estéticos também na ignorância humana. A cena em que o personagem de Douglas, por minutos é impedido de comprar seu café da manhã em uma destas lanchonetes fast food, para mim é um clássico do politicamente incorreto. Como uma bolsa cheia de armas de grosso calibre abre portas, espanta a bandidagem, porém cria a falsa sensação de potência permanente! Mas não há como "amar" o questionamento que o personagem faz entre a realidade de um lanche murcho, ridiculamente feio em contraste com a foto que estampam no comércio para nos seduzir. A bandidagem cai aos pés de um homem simples. Um exemplar da new generation pós Guerra Fria. Típico americano que até então era exemplar, sempre fazendo o que lhe mandaram como cidadão. Eis que desempregado responde as camadas sociais parasitas da sociedade de seu tempo, que abrigadas na contravenção e na impunidade tentam impedir seu "ir e vir!" Assim, Willian Foster elimina a arrogância do coreano, a suposta valentia dos pequenos marginais, o neonazista, o milionário arrogante e o funcionário de uma empresa que travou o trânsito sem grandes motivos. Em tempos de extremos absurdos em nosso país, os cidadãos comuns acoados pela violência de todos os lados, o personagem de Douglas aspira desejos ocultos de vingança contra tudo que nos limita a condições de permanência em uma situação de medo. Talvez eu exceda algum limite do bom senso. Mas no Brasil, as grandes mudanças virão das ações dos cidadãos comuns como Willian Foster no filme "Um Dia de Fúria", pela objetividade dos pontos que realmente precisam mudar. As atitudes, sejam no trânsito, no trabalho, na escola, na rua, no comércio e principalmente na política!

sábado, 19 de outubro de 2013

Coisas Eróticas

Concluí recentemente a leitura do livro "Coisas Eróticas", dos jornalistas Denise Godinho e Hugo Moura, editado pela Panda Books, 2012. Trata-se de excelente pesquisa jornalística sobre um dos maiores fenômenos do cinema nacional. Óbvio que não sendo o único, Coisas Eróticas, está envolto em fatos ímpares em nossa história cinematográfica. Vai além da mera pornografia, combustível instantâneo desencadeador do fenômeno numa época de total repressão e censura. Alguns deles cito aqui, mas a leitura do livro, além de agradável é essencial para quem ama cinema. No início dos anos 80, a Ditadura Militar brasileira agonizava em seus últimos anos. Um rápido processo de abertura política resvalou em aspectos da cultura nacional. A censura que por décadas sustentou o poder já não se sustentava. O Ato Institucional n° 5 que por anos garantiu a repressão aos meios de produção cultural, agora sucumbia nas liberdades trazidas pelo AI 11. Raffaele Rossi um quase falido diretor de cinema da então boca do lixo paulistana, em busca de saldar dívidas vai provocar um verdadeiro terremoto em seu meio. Influenciado pela ousadia extrema do filme japonês O Império dos Sentidos de Nagisa Oshima, Rossi teve a maior inspiração da carreira. A introdução do sexo explícito em um roteiro de filme genuinamente nacional. Se a pornografia já chegara por outros meios no país, o que parece óbvio para o cinema foi uma batalha das mais épicas de nossa cultura. Apesar das aberturas políticas, a produção cultural da época ainda passava por um crivo da censura. O filme Coisas Eróticas ficou pronto em pouco mais de um mês de filmagens. Abre-se então o processo de censura parcial da obra. Como Rossi o remontou encontrando assim uma possibilidade de certificação para exibição. Se a censura federal era uma bagunça na época, porque assim o eram os métodos de se fazer cinema na boca do lixo. As cenas do filme Coisas Eróticas são para lá de amadoras. Imagine atores e todos os equipamentos transportados em um Opala amarelo ano 1975 saindo da capital rumo ao litoral. Filmagens feitas de madrugada para ninguém ver os atores nus na praia! Rodado em sua maioria na região de Campinas, Rossi contou com carros emprestados dos atores que quebravam nos trajetos, cenários em locações emprestadas por parentes de gente da produção. E o que não faltam são informações de peculiares como a dublagem de um dos atores feito pelo mesmo dublador do Fred do desenho Os Flintstones. Créditos finais escritos em cartolina colorida segurados por assistente. Lançado apenas em um cinema em São Paulo amparado por liminar judicial Coisas Eróticas virou um fenômeno de público, após 200 dias de espera para aprovação da censura, o que levou Raffaele Rossi e demais produtores quase a falência. Mesmo perseguido pela censura e odiado por religiosos da época, Coisas Eróticas somou a venda de mais de 4,7 milhões de ingressos. Está na lista dos filmes nacionais mais vistos da História na 14ª posição, sendo o 4° mais visto nos anos 80. O livro faz um retrospecto para cada um dos atores que participaram do filme. A maioria voltando ao anonimato e Raffaele Rossi que após constituir uma fortuna com o filme, morre endividado, pobre e solitário em uma chácara em Embú Guaçu. Mas o legado de afronta aos costumes e a cultura de uma época são dignas deste excelente livro. 

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Morte na F1

PUBLICADO ORIGINALMENTE NO FACEBOOK 12/10/2013


É feriado! Dia das crianças. Passeios, alegria blá blá blá.... Mas dia também de pesar para o mundo das corridas de carro. Ontem, faleceu Maria de Villota, ex pilota da equipe Marússia de F1. Em 2012 durante testes de sua equipe, ela quase teve a cabeça decepada chocando-se contra um caminhão em um autódromo da Grã Bretanha. Como Alessandro Zanardi, Villota era uma prova de superação de pilotos que quase vão a óbito durante as corridas, mas dão a volta por cima. Maria de Villota, faleceu aos 33 anos em Sevilha na Espanha. As causas da morte ainda não foram divulgadas oficialmente.

A força da obra de Wim Mertens

Trilha sonora do filme "Nós que aqui estamos por vós esperamos" de Marcelo Mazagão, 1999. Disponível em DVD. 

David Tame (1984), na poderosa obra "The Secret Power of Music", Editora Cultrix, já antecipara em pelo menos vinte anos a ideia de que a música é uma relação tridimensional do homem com a existência. Veja e ouça o clip abaixo na condição de perceber que você como a música é uma criação que está além do que se supõe visível e perceptível.

Musicalmente absoluto! Maravilhosamente sonora!




Por onde caminhavam os gênios da erudição moderna. A contemporaneidade é mais esperançosa pois soube preservar a magnitude criativa da música essencial. Veja e ouça se seu espírito já se formatou ao plano da genialidade sonora dada pelo Criador.




Erudição, música inteligente, multiculturalismo, essência do espiritual (não religiosa), alma, sentimento... Ouça se reunir coragem para uma audição que transcenda!



Ouçam apenas os de espíritos elevados! Ouçam os que conseguem ir além...


Homenagens comunistas aos professores!

Cenas. Professores são humilhados no auge da "Revolução Cultural" na China comunista, 1966. Foto do acervo de Li Zhensheng.

Cenas. Funcionários públicos humilhados em praça pública pelos "revolucionários" de Mao Tse-tung no auge da "Revolução Cultural." China 1966. Acusação: "burocratas intelectuais que atuam contra o povo" (sic!) Foto do acervo de Li Zhensheng.


Cenas. Crianças, adolescentes e jovens, "soldados de Mao", lideraram a Revolução Cultural na China em 1966. Aí! Dê um "google" e pesquise os resultados. Foto do Li Zhensheng.


Cenas. A "Revolução Cultural" na China em 1966 tinha como objetivo essencial o extermínio dos "Quatro Velhos": velhas ideias, velha cultura, velhos costumes e os velhos hábitos. Para atingir os objetivos do Partido Comunista liderado por Mao Tse-tung, entre outros setores, os professores universitários foram perseguidos, humilhados e executados. Foto do Li Zhensheng.



segunda-feira, 15 de julho de 2013

Polêmica! (o melhor do blog 2009)

O texto abaixo compôs um post do antigo blog donideias2009. Gerou muita polêmica entre meus colegas de trabalho e de curso de Pedagogia. Ainda gerou muitos debates acalorados no ambiente de aprendizagem da UMESP. Creio valer a pena reproduzi-lo nesta nova proposta, até porque de todos as discussões, pouco se concluiu, pois trata-se de tema complexo. Data original da primeira publicação; 20 de março de 2010.

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Me perguntaram dias atrás, porque eu sendo um educador não escrevo mais no blog sobre Educação. “Você só fala de filmes e carros de corrida e de vez em quando, mal do Lula!” Pensei bem e a querida leitora que enviou-me um e mail irado comentando minha “alienação” momentânea que ignora temas essenciais, tinha de fato muita razão. E eis que volto ao tema Educação, fazendo-o com saudosismo e pisando em campo minado. Estudando o tema alfabetização para a apresentação de artigo científico para a UMESPem maio, foi inevitável passar pelo embate dos métodos utilizados no país para ensinar as últimas gerações a ler e escrever. Por várias décadas antes do surgimento e expansão do construtivismo, uma mistura do método fônico (sintético) com o global (analítico) foi base na formação de milhões de brasileiros. Esses métodos estavam expressos em cartilhas ricamente ilustradas que tinham entre seus vários objetivos, o da repetição incansável de sons, letras, sílabas e palavras. Um ícone desta época foram as cartilhas Caminho Suave. A educadora Branca Alves de Lima, criou a cartilha em 1948 junto com um método próprio que ela denominou “alfabetização pela imagem.” Acredita-se que a obra de Branca Alves tenha vendido algo próximo de 40 milhões de exemplares. Foram mais de 50 anos de história e que provavelmente se mesclaram com a minha e a sua. Aprendi com ela. Não me esqueço do “a” de abelha, “o” de ovo … Em 1995 a Caminho Suave foi retirada do catálogoMEC. Mesmo assim, fala-se que por ano sejam vendidas ainda, 10 mil exemplares! Saudosistas ironizando os modernismos pedagógicos dizem que; “para resolver os problemas de alfabetização do construtivismo, as professoras compram escondido uma cartilha para usá-la no reforço escolar…” Segundo a Wikipedia; “Especialistas em pedagogia afirmam que “Caminho Suave” e“Sodré” são os únicos métodos realmente brasileiros de alfabetização em português. O método da cartilha Caminho Suave começa pelas vogais, forma encontros vocálicos e depois parte para a silabação. O sucesso editorial seria devido ao fato de unir o processo analítico ao sintético, facilitando o aprendizado.” Após duas décadas de profundas reformas educacionais, onde inclusive aposentaram-se as cartilhas, grandes questionamentos surgem. Acredito no construtivismo como fundamento na ação alfabetizadora. Questiono a eliminação sumária de outros métodos, inclusive a aposentaria das cartilhas como a Caminho Suave. Os pífios índices educacionais e as legiões de crianças e adolescentes que mal sabem escrever o próprio nome são indicativos que apontam para a necessidade de rever a insistência do MEC em impor o construtivismo como ação única na alfabetização. O debate pode cair numa luta inútil e sectária entre novas e velhas gerações de educadores. Fica então o que é mais “suave” às velhas gerações. A infinita saudade dos tempos do “b” de barriga, do “f” de faca, do “j” de jarro…