terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Memórias do Gomes. Parte 2.

Foto pertence ao acervo: bruna-la-serra (fotografia)

Corriam os anos da década de 70. Obviamente, guardadas as proporções este anos se diferenciam cada momento histórico posterior. Mas afirmo com toda convicção que aqueles tempos eram bem melhores. Talvez mais simples. Menos exigentes. Com menos cuidados. Aquelas escadarias de madeira, os corredores gélidos com pisos quase espelhados com desenhos exclusivos e provavelmente de material importado para a Escola Carlos Gomes, abrigavam com toda segurança as crianças e adolescentes daqueles idos 70. "Vícios?" Sim, claro. Tínhamos os nossos. Colecionar figurinhas por exemplo. Álbuns como o do filme do King Kong (1976), dos jogadores das Copas do Mundo de 1970, 1974 e 1978, o álbum com figurinhas de metal, o chamado Chapinhas de Ouro com marcas de carro, de cigarro e atores do filme O Planeta dos Macacos. Ahh! Coitadinhas de nossas mães que não venciam nos dar dinheiro para sustentar esse "vício!" Eram nas redondezas da escola que trocávamos nossas figurinhas repetidas ou teimávamos perdê-las nas sessões de "bafo." Pasmem. O mais espertalhão da turma da 4ª e 5ª séries, era o Bráulio. Um garoto com pinta de bobão. Apesar da deficiência visual, nos tomava as figurinhas competindo sua esperteza com nossa ingenuidade. Mas óbvio que aula era aula. Dona Maria Alice, minha professora de 1ª e 2ª séries talvez seja co-responsável por parte de minhas perdas auditivas ao longo da infância. Como gritava! Me lembro da professora Glenda. Naquele ano de 1974, a escola Carlos Gomes entrou em reforma e fomos transferidos para as dependências do Instituto Alan Kardec na Avenida Anchieta, onde a "tia" Glenda tentou a todo custo concluir nosso processo de alfabetização. Mas olha como funcionava o cérebro dos moleques da época. Comentávamos na entrada e saída das aulas, as dicas da professora para as meninas. "Meninas! Já já vocês terão seios e portanto jamais fiquem arcadas com vergonha para escondê-los!" Puxa, "tia" Glenda! As dicas serviram para nós meninos prestarmos mais atenção nas meninas. Naquelas que mais rápido desenvolveram o que a senhora vivia dizendo! E foi a Jaque, que ganhou o torneio daquele ano! Mas aquelas duas jóias avantajadas, não foram para o "bico" de nenhum dos "curiosos" de plantão. Era só olhar e disfarçando bem, se não a Jaque brigava!  Me lembro daquele ano de conhecer pela primeira vez a "noia" dos brasileiros para os jogos da seleção. As aulas eram suspensas para os jogos da primeira fase da Copa do Mundo na Alemanha. Zaire, Escócia e Iugoslávia. O Brasil foi péssimo nos primeiros jogos e se classificou para a segunda fase, caindo aos pés da Argentina. Não me importei muito, porque o legal mesmo daqueles dias era não ter aula para ficar com os amigos. Entre eles o Messias. Briguento e eterno a candidato a "líder", era meu concorrente com a Helô! Ele era mais estiloso pelo cabelo loiro espanador (Ted Boy Marinho, lembra?), mas por ser chato demais, a Helô preferia mais ficar com o gordinho (Christoffer Croos, anos 80, lembra?) que também era estiloso pois caprichava no visual ao calçar um inédito Topper cano longo vermelho. Era a versão nacional do All Star, tênis oficial dos jogos de basquete pelo mundo. Nas aulas de Educação Física eu tentava com meu estiloso calçado pelo menos aparentar o famoso ídolo Oscar da seleção. E foi na nova quadra do Carlos Gomes as primeiras "cestadas" nas aulas de Educação Física com o professor Fefeco que em termos de chatice superou com uma distância considerável os berros da dona Maria Alice da 1ª série. 
Clássico do início de década.

Me arrependo até hoje de não ter guardado essa relíquia que com certeza foi um ícone destes deliciosos anos 70. 

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Leituras perturbadoras!

Foram três meses de leitura. Na realidade um período de estudos. A quantidade de tempo demandado para a leitura das 615 páginas, não foi imposta pelo excesso visível do dorso do livro, mas pelas centenas de links e notas do autor. "O Imbecil Coletivo", 1996, que li apenas na 4ª edição, já tinha me perturbado muito. Sempre amei a leitura e sua incrível capacidade de mobilizar meu ser. O problema de ter lido o primeiro livro de Olavo de Carvalho, foi que uma vez "contaminado" pela lucidez do autor mediante a imbecilidade planetária a respeito das diversas conjunturas que nos rodeiam, nunca encontrei uma interlocução para discutir as teses do autor. E olha que transito no meio docente a vinte longos anos. Aliás, na medida em que o tempo passou, esse grupo social, o da sala de aula, o "que prepara as novas gerações" nunca esteve tão indigente intelectualmente. Certa vez, antes da onda politicamente correta, levei o capítulo "Mentiras Gay" para debater com uma professora de Ciências de uma escoleta partiular que militava a favor da causa. Meus argumentos fundamentados pelo livro de Carvalho, sucumbiram a neura simplista do senso comum que impõe o "respeito ao próximo", que "deve-se se aceitar as pessoas como elas são..." e demais concepções chulas que assolam o meio docente, que há tempos abandonou a leitura e a pesquisa para formarem suas opiniões. "O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota", obra lançada este ano pela Editora Record é igualmente perturbador. Mas reafirma a tese que atravessa décadas em nossa cultura letrada que nunca fomos tão idiotas como nos tempos atuais. O mal estar na conclusão do livro, veio do fato que mesmo atento a esta "onda imbecilizante" e fugindo dela, ainda estou a "anos luz" de equilibrar minhas convicções e discutir a altura com o meio. Olavo de Carvalho além de um grande intelectual é de fato muito corajoso. Me lembro da celeuma causada no meio docente em 1999, quando declarou nas páginas amarelas da Veja e em entrevista à Revista Educação, que "Paulo Freire era um "tosco". Nesta obra de 2013, a seleção de artigos, em sua maioria extraídos do Diário do Comércio, Carvalho reafirma a corajosa provocação ao "deus' dos professores contemporâneos. Além de "tosco", Carvalho em um artigo de 19/12/12, reafirma que a geração formada no esquerdismo educacional da geração Freire, chegou ao poder até sem saber escrever corretamente. De fato, mea culpa! Parte dos meus 17 anos de sala de aula, fui responsável por "esquerdizar" minhas aulas de História. Mas não entendo estar "à direita" de nada por reconhecer isso. O problema é não reconhecer que todo conhecimento, quando transmitido deve procurar verificar diversas premissas. Só isso! Por preguiça intelectual em ler os autores que contestassem por fatos as teorias de esquerda sobre a História. Fui contaminado pelo petismo sufocante nas teorias educacionais. Sim! Somos um país de idiotas! Nossa cultura contemporânea é uma piada. Tudo está nivelado por baixo. Cultua-se a estética da miséria, da pobreza e se aceita qualquer coisa em nome da "inclusão social" apregoada pelos estertores da política lulista que tomou de assalto o pais há dez anos. Na conclusão do livro, a certeza do quanto estamos longe do ideal. Não se trata de conceber o mundo à direita ou a esquerda na política. Mas de se olhar com mais equilíbrio certas verdades apregoadas na mídia. Essas certezas que aparentam normalidade. Vamos lá! Aceitemos que nossos jovens formam um contingente de "nanicos intelectuais" que mal sabem escrever e quando muito, leem porcamente. Que a aceitação da onda gay, do aborto, da ditadura petista e suas bolsas são um cancro na história do país. Que nossas escolas são medíocres. Torram dinheiro público e não formam sequer, mão de obra barata para o mercado. Que aceitamos "qualquer coisa" como imposição de inclusão social, do aspecto do que tem que ser encarado como "popular", manifestação do povo. Ainda que isso seja uma afronta a construção cultural de nosso país. Achincalhe na música com os ritmos musicais onde moleques de periferia regurgitam qualquer bobagem e se tornam "artistas!" Achincalhe na tevê onde qualquer idiota semi-alfabetizado tem seus 15 segundos de fama. Sem contar a indigência no mundo da política. Eis meu maior peso de consciência. Por anos defendi e militei com essa gente de esquerda. E que toda violência atual vem do excesso de relativismo social imposto até no mundo jurídico, onde diante do fato de que existe no país muita desigualdade social, pode-se deixar impune o assassino, o estuprador, o sequestrador, os "dimenor!" Para finalizar, se você tem preguiça de pensar, afaste-se desta obra de Carvalho. É um tratado contra a idiotia reinante. É um alerta para uma retomada. Pior do que um idiota alienado é um idiota esclarecido que insiste na crença de que tudo está "assim", porque as coisas devem ser "assim!" Primeira argumentação de uma professora quando teci comentários a respeito do livro de Olavo de Carvalho.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Memórias do Gomes. Parte 1

Memórias de infância e adolescência realmente são mais fixas do que as lembranças dos fatos de pouco tempo atrás. Não tem jeito. Toda vez que passo a pé próximo do prédio da escola Carlos Gomes, elas voltam com insistente intensidade. Hoje, me parece menor. De fora, parece ter encolhido no paradoxo do passar do tempo e da auto percepção que se envelhece rápido. Mas aqueles dias dos anos 70, quando estava eu na condição de aluno no Primeiro Grau, nunca saíram da lembrança. E volta e meia vem os sonhos. Eu transitando pelos intermináveis corredores, ligando o auditório com o velho piano que diziam ter pertencido ao próprio músico que denominara a escola. Na entrada ao centro, pintado em escala gigantesca o quadro de Pedro Américo, "O Grito" separava as portas de acesso do auditório e dos consultórios dos dentistas. Na época, vejam só, tínhamos nossas arcadas mensalmente verificadas. Era como uma prova de uma disciplina qualquer. Uma vez reprovado, além da bronca da dentista, íamos nós tratarmos das cáries angariadas na degustação dos doces e balas adquiridas na cantina do então "tio" Célio. Um sujeito chato, rabugento, que volta e meia nos dava bronca por furarmos as filas, mas fazia um misto quente que sentíamos o cheiro da quadra. Custava uma "nota!" Uma vez por semana e olha lá! Às vezes nem isso!  Nos anos 70, Campinas, obviamente era bem mais calma. Podia-se sair da escola e ir a pé para casa. E não tinha lá grandes problemas ficar na rua até mais tarde. Ou de levar pra casa, a Heloísa, a gatinha da 5ª série que todo mundo queria namorar. Seus pais eram zeladores de um edifício na Moraes Salles. Me lembro de insistir em acompanhá-la até em casa. Mas ela nunca me permitiu uma "bitoca" que fosse! Fui mais feliz com a Juliana. A menina cheia de sardas que me derreti de paixão na 4ª série. A turma a achava feinha, mas nos apaixonamos. Tínhamos até uma música. Dos "sons" de fim de ano, quando rolava na vitrola a trilha sonora da novela Espelho Mágico da Rede Globo. Puxa Juliana, como foi gostoso dançar com você, Daybreack do Randy Bishop. Eu menti pra você naquele dia, quando respondi que era uma caneta no meu bolso. E foram naqueles corredores da escola Carlos Gomes que encontrávamos um espaço para "namorar"! Hei espere, um pouco. Namorar nesta época não passava de um simples papinho e quando no máximo pegar na mão. Quando muito sentar pertinho no laboratório de Ciência onde o prof° Renato, um estrangeiro que até hoje não consigo saber de onde, com um sotaque estranho, um avental branco de cientista e um cabelo pra lá de ensebado, insistia em lições quase incompreensíveis. Os pátios, os corredores, as portas, portões, saídas e entradas ficaram gravadas na mente. Tempos diferentes! Bons ou ruins tiveram suas particularidades, uma delas foi me mostrar o quanto a escola é importante na vida da gente. Principalmente nessa fase até os 14 anos. O que vem depois? Ah, porque depois? Porque não lembrar de mais momentos desses idílicos momentos? Era chegar em casa, "on" na tv. "Viagem ao Fundo do Mar", "Perdidos no Espaço", "Os Três Patetas", "Daniel Boone", "Vila Sésamo" e por aí ia a programação até lembrar que tinha lição de casa. Me lembro bem das duas decepções dadas aos meus pais com a reprovação na 4ª e 7ª série. Era um aluno medíocre! Gostava da escola, das meninas, de jogar bola nos intervalos, de trocar figurinhas...

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Um tempo de fúria.


Ao rever o excelente filme de Joel Shumacher, "Um Dia de Fúria" (Falling Down, 1993) me vem a mente uma avalanche de reflexões sobre estes tempos absurdamente violentos. Se você ainda não viu o filme, está perdendo a interpretação impecável de Michael Douglas no papel de um desempregado em seu último dia de vida numa Los Angeles abarrotada de contradições sociais, abrindo espaços para a fúria de um homem na busca inútil de retomar sua família. Sua causa é particular, mas tem que lidar com todo tipo de ser deturpado numa colcha de retalhos que contém marginalidade, fascismo, arrogância, prepotência e muita violência. "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas me convém. Todas as coisas me são lícitas, mas não me deixarei dominar por nenhuma." Está na Bíblia em I Coríntios, 6, 12. Um freio aos tementes. Não o caso de Willian Foster que a partir de um surto nervoso dentro do carro no congestionamento parte para uma vingança pessoal em cada obstáculo que o impede de chegar a festa de aniversário da filha. Quantas vezes, você como eu já tivemos a vontade de partir para as vias de fato com pessoas que nos cortam a fila? Nos fazem de palhaços no comércio com preços abusivos? Já se deparou com situações em que estarem te enganando é tão evidente que ultrapassa as raias do absurdo? A violência tem contornos estéticos também na ignorância humana. A cena em que o personagem de Douglas, por minutos é impedido de comprar seu café da manhã em uma destas lanchonetes fast food, para mim é um clássico do politicamente incorreto. Como uma bolsa cheia de armas de grosso calibre abre portas, espanta a bandidagem, porém cria a falsa sensação de potência permanente! Mas não há como "amar" o questionamento que o personagem faz entre a realidade de um lanche murcho, ridiculamente feio em contraste com a foto que estampam no comércio para nos seduzir. A bandidagem cai aos pés de um homem simples. Um exemplar da new generation pós Guerra Fria. Típico americano que até então era exemplar, sempre fazendo o que lhe mandaram como cidadão. Eis que desempregado responde as camadas sociais parasitas da sociedade de seu tempo, que abrigadas na contravenção e na impunidade tentam impedir seu "ir e vir!" Assim, Willian Foster elimina a arrogância do coreano, a suposta valentia dos pequenos marginais, o neonazista, o milionário arrogante e o funcionário de uma empresa que travou o trânsito sem grandes motivos. Em tempos de extremos absurdos em nosso país, os cidadãos comuns acoados pela violência de todos os lados, o personagem de Douglas aspira desejos ocultos de vingança contra tudo que nos limita a condições de permanência em uma situação de medo. Talvez eu exceda algum limite do bom senso. Mas no Brasil, as grandes mudanças virão das ações dos cidadãos comuns como Willian Foster no filme "Um Dia de Fúria", pela objetividade dos pontos que realmente precisam mudar. As atitudes, sejam no trânsito, no trabalho, na escola, na rua, no comércio e principalmente na política!

sábado, 19 de outubro de 2013

Coisas Eróticas

Concluí recentemente a leitura do livro "Coisas Eróticas", dos jornalistas Denise Godinho e Hugo Moura, editado pela Panda Books, 2012. Trata-se de excelente pesquisa jornalística sobre um dos maiores fenômenos do cinema nacional. Óbvio que não sendo o único, Coisas Eróticas, está envolto em fatos ímpares em nossa história cinematográfica. Vai além da mera pornografia, combustível instantâneo desencadeador do fenômeno numa época de total repressão e censura. Alguns deles cito aqui, mas a leitura do livro, além de agradável é essencial para quem ama cinema. No início dos anos 80, a Ditadura Militar brasileira agonizava em seus últimos anos. Um rápido processo de abertura política resvalou em aspectos da cultura nacional. A censura que por décadas sustentou o poder já não se sustentava. O Ato Institucional n° 5 que por anos garantiu a repressão aos meios de produção cultural, agora sucumbia nas liberdades trazidas pelo AI 11. Raffaele Rossi um quase falido diretor de cinema da então boca do lixo paulistana, em busca de saldar dívidas vai provocar um verdadeiro terremoto em seu meio. Influenciado pela ousadia extrema do filme japonês O Império dos Sentidos de Nagisa Oshima, Rossi teve a maior inspiração da carreira. A introdução do sexo explícito em um roteiro de filme genuinamente nacional. Se a pornografia já chegara por outros meios no país, o que parece óbvio para o cinema foi uma batalha das mais épicas de nossa cultura. Apesar das aberturas políticas, a produção cultural da época ainda passava por um crivo da censura. O filme Coisas Eróticas ficou pronto em pouco mais de um mês de filmagens. Abre-se então o processo de censura parcial da obra. Como Rossi o remontou encontrando assim uma possibilidade de certificação para exibição. Se a censura federal era uma bagunça na época, porque assim o eram os métodos de se fazer cinema na boca do lixo. As cenas do filme Coisas Eróticas são para lá de amadoras. Imagine atores e todos os equipamentos transportados em um Opala amarelo ano 1975 saindo da capital rumo ao litoral. Filmagens feitas de madrugada para ninguém ver os atores nus na praia! Rodado em sua maioria na região de Campinas, Rossi contou com carros emprestados dos atores que quebravam nos trajetos, cenários em locações emprestadas por parentes de gente da produção. E o que não faltam são informações de peculiares como a dublagem de um dos atores feito pelo mesmo dublador do Fred do desenho Os Flintstones. Créditos finais escritos em cartolina colorida segurados por assistente. Lançado apenas em um cinema em São Paulo amparado por liminar judicial Coisas Eróticas virou um fenômeno de público, após 200 dias de espera para aprovação da censura, o que levou Raffaele Rossi e demais produtores quase a falência. Mesmo perseguido pela censura e odiado por religiosos da época, Coisas Eróticas somou a venda de mais de 4,7 milhões de ingressos. Está na lista dos filmes nacionais mais vistos da História na 14ª posição, sendo o 4° mais visto nos anos 80. O livro faz um retrospecto para cada um dos atores que participaram do filme. A maioria voltando ao anonimato e Raffaele Rossi que após constituir uma fortuna com o filme, morre endividado, pobre e solitário em uma chácara em Embú Guaçu. Mas o legado de afronta aos costumes e a cultura de uma época são dignas deste excelente livro. 

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Morte na F1

PUBLICADO ORIGINALMENTE NO FACEBOOK 12/10/2013


É feriado! Dia das crianças. Passeios, alegria blá blá blá.... Mas dia também de pesar para o mundo das corridas de carro. Ontem, faleceu Maria de Villota, ex pilota da equipe Marússia de F1. Em 2012 durante testes de sua equipe, ela quase teve a cabeça decepada chocando-se contra um caminhão em um autódromo da Grã Bretanha. Como Alessandro Zanardi, Villota era uma prova de superação de pilotos que quase vão a óbito durante as corridas, mas dão a volta por cima. Maria de Villota, faleceu aos 33 anos em Sevilha na Espanha. As causas da morte ainda não foram divulgadas oficialmente.

A força da obra de Wim Mertens

Trilha sonora do filme "Nós que aqui estamos por vós esperamos" de Marcelo Mazagão, 1999. Disponível em DVD. 

David Tame (1984), na poderosa obra "The Secret Power of Music", Editora Cultrix, já antecipara em pelo menos vinte anos a ideia de que a música é uma relação tridimensional do homem com a existência. Veja e ouça o clip abaixo na condição de perceber que você como a música é uma criação que está além do que se supõe visível e perceptível.

Musicalmente absoluto! Maravilhosamente sonora!




Por onde caminhavam os gênios da erudição moderna. A contemporaneidade é mais esperançosa pois soube preservar a magnitude criativa da música essencial. Veja e ouça se seu espírito já se formatou ao plano da genialidade sonora dada pelo Criador.




Erudição, música inteligente, multiculturalismo, essência do espiritual (não religiosa), alma, sentimento... Ouça se reunir coragem para uma audição que transcenda!



Ouçam apenas os de espíritos elevados! Ouçam os que conseguem ir além...


Homenagens comunistas aos professores!

Cenas. Professores são humilhados no auge da "Revolução Cultural" na China comunista, 1966. Foto do acervo de Li Zhensheng.

Cenas. Funcionários públicos humilhados em praça pública pelos "revolucionários" de Mao Tse-tung no auge da "Revolução Cultural." China 1966. Acusação: "burocratas intelectuais que atuam contra o povo" (sic!) Foto do acervo de Li Zhensheng.


Cenas. Crianças, adolescentes e jovens, "soldados de Mao", lideraram a Revolução Cultural na China em 1966. Aí! Dê um "google" e pesquise os resultados. Foto do Li Zhensheng.


Cenas. A "Revolução Cultural" na China em 1966 tinha como objetivo essencial o extermínio dos "Quatro Velhos": velhas ideias, velha cultura, velhos costumes e os velhos hábitos. Para atingir os objetivos do Partido Comunista liderado por Mao Tse-tung, entre outros setores, os professores universitários foram perseguidos, humilhados e executados. Foto do Li Zhensheng.



segunda-feira, 15 de julho de 2013

Polêmica! (o melhor do blog 2009)

O texto abaixo compôs um post do antigo blog donideias2009. Gerou muita polêmica entre meus colegas de trabalho e de curso de Pedagogia. Ainda gerou muitos debates acalorados no ambiente de aprendizagem da UMESP. Creio valer a pena reproduzi-lo nesta nova proposta, até porque de todos as discussões, pouco se concluiu, pois trata-se de tema complexo. Data original da primeira publicação; 20 de março de 2010.

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Me perguntaram dias atrás, porque eu sendo um educador não escrevo mais no blog sobre Educação. “Você só fala de filmes e carros de corrida e de vez em quando, mal do Lula!” Pensei bem e a querida leitora que enviou-me um e mail irado comentando minha “alienação” momentânea que ignora temas essenciais, tinha de fato muita razão. E eis que volto ao tema Educação, fazendo-o com saudosismo e pisando em campo minado. Estudando o tema alfabetização para a apresentação de artigo científico para a UMESPem maio, foi inevitável passar pelo embate dos métodos utilizados no país para ensinar as últimas gerações a ler e escrever. Por várias décadas antes do surgimento e expansão do construtivismo, uma mistura do método fônico (sintético) com o global (analítico) foi base na formação de milhões de brasileiros. Esses métodos estavam expressos em cartilhas ricamente ilustradas que tinham entre seus vários objetivos, o da repetição incansável de sons, letras, sílabas e palavras. Um ícone desta época foram as cartilhas Caminho Suave. A educadora Branca Alves de Lima, criou a cartilha em 1948 junto com um método próprio que ela denominou “alfabetização pela imagem.” Acredita-se que a obra de Branca Alves tenha vendido algo próximo de 40 milhões de exemplares. Foram mais de 50 anos de história e que provavelmente se mesclaram com a minha e a sua. Aprendi com ela. Não me esqueço do “a” de abelha, “o” de ovo … Em 1995 a Caminho Suave foi retirada do catálogoMEC. Mesmo assim, fala-se que por ano sejam vendidas ainda, 10 mil exemplares! Saudosistas ironizando os modernismos pedagógicos dizem que; “para resolver os problemas de alfabetização do construtivismo, as professoras compram escondido uma cartilha para usá-la no reforço escolar…” Segundo a Wikipedia; “Especialistas em pedagogia afirmam que “Caminho Suave” e“Sodré” são os únicos métodos realmente brasileiros de alfabetização em português. O método da cartilha Caminho Suave começa pelas vogais, forma encontros vocálicos e depois parte para a silabação. O sucesso editorial seria devido ao fato de unir o processo analítico ao sintético, facilitando o aprendizado.” Após duas décadas de profundas reformas educacionais, onde inclusive aposentaram-se as cartilhas, grandes questionamentos surgem. Acredito no construtivismo como fundamento na ação alfabetizadora. Questiono a eliminação sumária de outros métodos, inclusive a aposentaria das cartilhas como a Caminho Suave. Os pífios índices educacionais e as legiões de crianças e adolescentes que mal sabem escrever o próprio nome são indicativos que apontam para a necessidade de rever a insistência do MEC em impor o construtivismo como ação única na alfabetização. O debate pode cair numa luta inútil e sectária entre novas e velhas gerações de educadores. Fica então o que é mais “suave” às velhas gerações. A infinita saudade dos tempos do “b” de barriga, do “f” de faca, do “j” de jarro…

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Manifesto

Por estar de férias em três dias "devorei" o Manifesto do Nada na Terra do Nunca, Lobão, Editora Nova Fronteira. Parte de um pacote de livros que programei ler neste mês insosso fora das salas de cinema, das estantes das livrarias e dos cantos de leitura domésticos. Pelas polêmicas causadas por ocasião do lançamento em maio, esperava bem mais do livro. Chiadeiras de Caetano Veloso, Mano Brown entre outros só potencializaram a curiosidade pelo livro. O estilão desbocado e sem freios do Lobão, sempre me chamaram a atenção, principalmente quando comenta a penúria da nossa cultura contemporânea. Em especial, a música. Esse lixo em que se transformou o que temos que aturar por aí. No programa Pânico da Rádio Jovem Pan, Lobão comprou uma batalha com fãs destes moleques que hoje se aventuram no sertanejo. Afirmou que este tipo de música causa "feridas no cérebro", incuráveis para sempre! Ótimo! A proposta do livro é legal. Questionar porque nos limitamos a tão pouco em tudo? Porque resultados pífios em tudo nos acalenta por auto nos proclamarmos o mais baixo dos povos? Porque toda complexidade é tão execrada? E eis que surge um roqueiro para levantar tais lebres. Nos capítulos introdutórios Lobão repete a exaustão alguns avisos; "Indefectíveis indagações," "É certo que muita gente vai criticar  este livro só de orelhada, a partir de frases  tiradas do contexto  e de uma visão estereotipada do autor.""Quem é você, seu roqueiro, para falar de MPB, choro, bossa nova...!?" E por aí vai. Há muita polêmica. E selecionei alguns pontos para entrar nesta "doideira" conceitual a respeito dos pensamentos reinantes deste país. Digo pra todo mundo. "Esse país é um porre!" Os motivos são tantos. Para começar trabalho em Educação a vinte anos! Precisa mais? Abaixo os trechos que selecionei do livro. Não foram os mais polêmicos na mídia. Mas gostaria de comentá-los:
1 - Funk; "O funk carioca é uma das raras exceções, pois importou a batida do Miami sound e se apossou, em plena favela, de recursos eletrônicos, transformando o funk num grito de guerra, sexo, o mais genuíno estilo que o morro produz hoje em dia." (...) Alguns de vocês, podem pular da poltrona, ter um acesso apoplético, voar na minha carótida e vociferar: "Mas o funk é grotesco, sexista, violento, obsceno, tem letras horríveis, de articulação gramatical que beira a dialetos neolíticos (...)delírio a entoar cânticos guturais(...) - página 47 -  Lobão aposta que o funk atual é a última das fronteiras com relação a música no Brasil, isenta de reinvenções por parte do intelectual de esquerda. Prefiro apostar que de fato o funk é uma fronteira. Mas para mim é o limite da sanidade musical. O funk dá fim a música no Brasil. Creio que como Lobão afirma a não reinvenção do ritmo se dá ao fato de ser um produto impossível de se recriar, tamanha porcaria que se configura. O estilo criou uma geração acéfala no que diz respeito a música. Tornou bossal uma geração inteira de jovens pela falta de rumo. É lixo Lobão. É lixo! Não tem jeito! Não há explicação conceitual que dê conta disso! 
2 - Movimentos de rua; "As falcatruas mais escabrosas são expostas sem que haja algum tipo consistente de protesto, muito pelo contrário, os índices de aprovação ao governo só aumentam." - página 190 - Lançado em maio de 2013, nem o livro previu a onda de protestos pelo país. Verdade, "inconsistentes" na visão do autor. Mas que derrubaram a popularidade deste frágil governo. Agora o estilão "sem rumo" do movimento é fruto do que o autor vocifera no livro todo, nossa pobreza cada vez mais gritante em vários aspectos da nossa cultura letrada. Ou na Antropofagia conceitual de Oswald de Andrade?
3 - Roberto Freire; "(...) assim que um jornalista me perguntou em quem eu iria votar, respondi entusiasmado, sem titubear: no Roberto Freire! Imaginava Roberto Freire ser o famoso psiquiatra e escritor de livros que havia lido com sofreguidão, como o iconográfico Sem tesão não há solução, criador (...) lá vou eu me encontrar com o Roberto Freire, quando sofro um baque. Era outro Roberto Freire! (...) sem mais delongas, caio no colo do Partido Comunista Brasileiro!"
O livro tem outras passagens igualmente engraçadas. Mas faltou mais "porrada", principalmente em movimentos já criticados pelo roqueiro. Como por exemplo, o atual sertanejo. Malhar a política nacional tem sido lugar comum e neste aspecto o livro acrescenta, mas não inova. A mim particularmente, depois de um década de governo de "esquerda", "essa" esquerda eu não tenho mais dúvidas do engodo histórico que vivemos. De dentro de uma escola pública também escreveria meu Manifesto do Nada, com mais acidez e violência verborrágica. Mas Lobão é nosso Chaplin fora das telas de cinema. Polêmico e a frente do seu tempo. Conta-se nos dedos de uma mão nomes da cultura nacional que se aventuram ser "do contra" e se expor desta forma. Pudera o Brasil ter uma dúzia de Lobão a bater com força neste "porre" conceitual de país em que vivemos. Mas quando? Quem sabe quando o ensino público for descente e conseguir retirar 9 milhões de jovens e adolescentes das ruas, fora da escola ouvindo funk. Êca! Sugiro a leitura da entrevista do Lobão na Rolling Stone de maio. A achei muito mais polêmica do que o livro! Pelo menos mais direta, como por exemplo chamar Gilberto Gil de "canalha" sem milongas!


quarta-feira, 10 de julho de 2013

"Dores" de um protesto!

Também já fiz protesto. Participei de passeata. Ajudei a "ocupar" e "travar" a Avenida Paulista. Já segurei cartazes protestando contra o sistema. Sei bem o que significam os olhos ficarem semanas lacrimejando depois do protesto. Escapei das balas de borracha, mas não de "pagar a conta" do alto custo do "movimento!"
Eu mesmo! Em entrevista a jornalista do Correio Popular sobre o hollerith "zerado" em razão dos descontos de salário por 41 dias de greve. (2001)

terça-feira, 9 de julho de 2013

Post pop! Mad...

Da série de posts legais do blog donideias009, a publicação abaixo de 27 de fevereiro de 2010, recupera uma das minhas paixões da adolescência. A leitura de gibis.

Mad
Nos anos 70 morei no Cambuí próximo ao Centro de Convivência de Campinas. Estudar na escola Carlos Gomes, ver os seriados enlatados da Globo todas as manhãs, juntar grana para comprar aquele All Star cano longo vermelho, eram as paixões dos adolescentes. Leitura mesmo, só os gibis do Tio Patinhas e Zé Carioca, além é lógico da revista Mad. Surgida em 1952 nos EUA, só chegou ao Brasil mais de 20 anos depois. Dificuldades no encontro de uma editora que topasse a tradução de uma revista de humor tão ousada, a Mad passou a fazer parte das leituras dos brasileiros quase na mesma época que comprei meu primeiro número. A capa ao lado é de março de 1975 e foi esta revista que adquiri usada em 1977. Desde então passei a me divertir com as sátiras dos vários cartunistas liderados por Alfred Newman, o mascote que lembra um molecão com cara de bobo, talvez indicando o perfil dos leitores da revista. Maiores informações acessem:

Fornalha "Reload"

Entre abril de 2009 e novembro de 2010, mantive um blog no antigo Blig, espaço do Portal IG para blogs. Este, deixou de funcionar em maio último. Alguns dos textos que publiquei lá, estavam backupeados. Vou publicar neste blog a partir de agora, os textos que considero de uma série de bons temas que geraram polêmicas entre meus então leitores. O texto abaixo foi originalmente publicado em 5 de dezembro de 2009.
Fornalha
“A free-way estava coalhada de carros. De uma amurada a outra, nenhum espaço. Ao luar, via os radiadores enegrecidos, capôs corroídos, vidros partidos ou cobertos de pó, faróis vazados. Surgiram de repente, ao rastejarmos pela lombada. Na sua imobilidade davam a sensação de velocidade. Fantasmagóricos, como esqueletos de dinossauros em museus. Bando de monstros, mortos subitamente em pleno ataque. (…) Isto me vem à cabeça, ao ver estes velhos carros, talvez os últimos do grande sonho brasileiro. Logo depois do Notável Congestionamento, as fábricas foram fechadas e milhares de pessoas ficaram nas ruas. Os que trabalhavam na fabricação e os que viviam das indústrias paralelas. Um tempo de grande dor. Pois é, restos do Notável Congestionamento. Mas já retiraram os carros de quase todos os lugares. Foi fácil fechar as estradas. Aqui mesmo são duzentos quilômetros de congestionamento. (…) Quem ía pensar que um dia íamos sentar tranqüilos entre os carros na estrada? Estão aí mortos. Quanta lata velha. Os carros ficaram parados dois anos em frente à minha casa. (…) Buzinavam, aceleravam podia ver o ar preto. A maioria esgotou a gasolina e o álcool do tanque. Ninguém desligava o motor. Pela manhã as pessoas continuavam no carro. Como se pertencessem a ele. (…) As famílias traziam mudas de roupa, café, comida. E o desespero quando souberam que não circulariam mais? Choravam diante do automóvel, inconsoláveis, lamentando como se fosse parente morto.”
Prezado leitor. As informações acima não se referem a nenhum grave congestionamento em nossos dias. Extraí trechos do livro de Ignácio Loyola Brandão, “Não Verás País Nenhum“, escrito nos anos 80 do século passado, mais exatamente em 1982. Trata-se de uma ficção. Em um futuro imprecisamente distante, é impossível a vida na Terra mediante o contato direto com o Sol. O desequilíbrio ambiental cria uma visão apocalíptica de um mundo onde a vida só continua em baixo de lajes anti solares. A princípio o livro é apenas um primor ficcional. Mas olhando pelas janelas do meu carro, creio que Brandão foi premonitório. Estaríamos às vésperas do tal “Notável Congestionamento?” Infelizmente as desconfianças não são apenas visuais. A cidade de São Paulo registrou 293 quilômetros de congestionamento em um dia de junho deste ano. O maior da história. O maior do mundo! Segundo o professor Marcos Cintra, doutor em economia por Harvard, os congestionamentos podem custar aos cofres de um país, até R$ 26 bilhões! Atrasos, acidentes, compromissos cancelados e desgastes das frotas mais acelerados do que o normal. Paralelo aos problemas do trânsito, uma indústria automobilística cada vez mais agressiva. Baixa dos preços, multiplicidade de modelos, sofisticação sem limites e os governos “contribuindo” com a letárgica política de manutenção e ampliação da infra estrutura. Bem, só resta esperar então o “Notável Congestionamento.” Espero que quando ele acontecer, meu carro esteja pelo menos pago! :-)

Eu, 1972!

Dos melhores posts no Facebook. Esse é de 20 de agosto de 2012
"Eu também já fui aluno. Hoje, sou professor! Mas fui mais ALUNO do que PROFESSOR em toda a minha vida! A todos os meus antigos e novos professores, meu grande respeito e admiração. Sem vocês, não seria PROFESSOR! (foto: 1972!)"

domingo, 7 de julho de 2013

16 meses

Postava aqui no blog pelo menos um post a cada dois, três dias! O embalo durou até março de 2012. Vieram problemas familiares, depressão, tratamento e o desânimo. Vi a debandada de leitores para o Facebook e lá fui eu atrás. A depressão foi curada! O tratamento acabou. O ânimo voltou. Mas recriei minha própria marca no Facebook. Está na hora de voltar. Vou atualizar o blog e trazer textos do anterior, donideias009, que saiu do ar. Vou trazer para cá, o que de melhor escrevi no Facebook. Ficará aqui meu legado de escritos pós pensantes! Abraço a todos!