segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Um tempo de fúria.


Ao rever o excelente filme de Joel Shumacher, "Um Dia de Fúria" (Falling Down, 1993) me vem a mente uma avalanche de reflexões sobre estes tempos absurdamente violentos. Se você ainda não viu o filme, está perdendo a interpretação impecável de Michael Douglas no papel de um desempregado em seu último dia de vida numa Los Angeles abarrotada de contradições sociais, abrindo espaços para a fúria de um homem na busca inútil de retomar sua família. Sua causa é particular, mas tem que lidar com todo tipo de ser deturpado numa colcha de retalhos que contém marginalidade, fascismo, arrogância, prepotência e muita violência. "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas me convém. Todas as coisas me são lícitas, mas não me deixarei dominar por nenhuma." Está na Bíblia em I Coríntios, 6, 12. Um freio aos tementes. Não o caso de Willian Foster que a partir de um surto nervoso dentro do carro no congestionamento parte para uma vingança pessoal em cada obstáculo que o impede de chegar a festa de aniversário da filha. Quantas vezes, você como eu já tivemos a vontade de partir para as vias de fato com pessoas que nos cortam a fila? Nos fazem de palhaços no comércio com preços abusivos? Já se deparou com situações em que estarem te enganando é tão evidente que ultrapassa as raias do absurdo? A violência tem contornos estéticos também na ignorância humana. A cena em que o personagem de Douglas, por minutos é impedido de comprar seu café da manhã em uma destas lanchonetes fast food, para mim é um clássico do politicamente incorreto. Como uma bolsa cheia de armas de grosso calibre abre portas, espanta a bandidagem, porém cria a falsa sensação de potência permanente! Mas não há como "amar" o questionamento que o personagem faz entre a realidade de um lanche murcho, ridiculamente feio em contraste com a foto que estampam no comércio para nos seduzir. A bandidagem cai aos pés de um homem simples. Um exemplar da new generation pós Guerra Fria. Típico americano que até então era exemplar, sempre fazendo o que lhe mandaram como cidadão. Eis que desempregado responde as camadas sociais parasitas da sociedade de seu tempo, que abrigadas na contravenção e na impunidade tentam impedir seu "ir e vir!" Assim, Willian Foster elimina a arrogância do coreano, a suposta valentia dos pequenos marginais, o neonazista, o milionário arrogante e o funcionário de uma empresa que travou o trânsito sem grandes motivos. Em tempos de extremos absurdos em nosso país, os cidadãos comuns acoados pela violência de todos os lados, o personagem de Douglas aspira desejos ocultos de vingança contra tudo que nos limita a condições de permanência em uma situação de medo. Talvez eu exceda algum limite do bom senso. Mas no Brasil, as grandes mudanças virão das ações dos cidadãos comuns como Willian Foster no filme "Um Dia de Fúria", pela objetividade dos pontos que realmente precisam mudar. As atitudes, sejam no trânsito, no trabalho, na escola, na rua, no comércio e principalmente na política!

sábado, 19 de outubro de 2013

Coisas Eróticas

Concluí recentemente a leitura do livro "Coisas Eróticas", dos jornalistas Denise Godinho e Hugo Moura, editado pela Panda Books, 2012. Trata-se de excelente pesquisa jornalística sobre um dos maiores fenômenos do cinema nacional. Óbvio que não sendo o único, Coisas Eróticas, está envolto em fatos ímpares em nossa história cinematográfica. Vai além da mera pornografia, combustível instantâneo desencadeador do fenômeno numa época de total repressão e censura. Alguns deles cito aqui, mas a leitura do livro, além de agradável é essencial para quem ama cinema. No início dos anos 80, a Ditadura Militar brasileira agonizava em seus últimos anos. Um rápido processo de abertura política resvalou em aspectos da cultura nacional. A censura que por décadas sustentou o poder já não se sustentava. O Ato Institucional n° 5 que por anos garantiu a repressão aos meios de produção cultural, agora sucumbia nas liberdades trazidas pelo AI 11. Raffaele Rossi um quase falido diretor de cinema da então boca do lixo paulistana, em busca de saldar dívidas vai provocar um verdadeiro terremoto em seu meio. Influenciado pela ousadia extrema do filme japonês O Império dos Sentidos de Nagisa Oshima, Rossi teve a maior inspiração da carreira. A introdução do sexo explícito em um roteiro de filme genuinamente nacional. Se a pornografia já chegara por outros meios no país, o que parece óbvio para o cinema foi uma batalha das mais épicas de nossa cultura. Apesar das aberturas políticas, a produção cultural da época ainda passava por um crivo da censura. O filme Coisas Eróticas ficou pronto em pouco mais de um mês de filmagens. Abre-se então o processo de censura parcial da obra. Como Rossi o remontou encontrando assim uma possibilidade de certificação para exibição. Se a censura federal era uma bagunça na época, porque assim o eram os métodos de se fazer cinema na boca do lixo. As cenas do filme Coisas Eróticas são para lá de amadoras. Imagine atores e todos os equipamentos transportados em um Opala amarelo ano 1975 saindo da capital rumo ao litoral. Filmagens feitas de madrugada para ninguém ver os atores nus na praia! Rodado em sua maioria na região de Campinas, Rossi contou com carros emprestados dos atores que quebravam nos trajetos, cenários em locações emprestadas por parentes de gente da produção. E o que não faltam são informações de peculiares como a dublagem de um dos atores feito pelo mesmo dublador do Fred do desenho Os Flintstones. Créditos finais escritos em cartolina colorida segurados por assistente. Lançado apenas em um cinema em São Paulo amparado por liminar judicial Coisas Eróticas virou um fenômeno de público, após 200 dias de espera para aprovação da censura, o que levou Raffaele Rossi e demais produtores quase a falência. Mesmo perseguido pela censura e odiado por religiosos da época, Coisas Eróticas somou a venda de mais de 4,7 milhões de ingressos. Está na lista dos filmes nacionais mais vistos da História na 14ª posição, sendo o 4° mais visto nos anos 80. O livro faz um retrospecto para cada um dos atores que participaram do filme. A maioria voltando ao anonimato e Raffaele Rossi que após constituir uma fortuna com o filme, morre endividado, pobre e solitário em uma chácara em Embú Guaçu. Mas o legado de afronta aos costumes e a cultura de uma época são dignas deste excelente livro. 

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Morte na F1

PUBLICADO ORIGINALMENTE NO FACEBOOK 12/10/2013


É feriado! Dia das crianças. Passeios, alegria blá blá blá.... Mas dia também de pesar para o mundo das corridas de carro. Ontem, faleceu Maria de Villota, ex pilota da equipe Marússia de F1. Em 2012 durante testes de sua equipe, ela quase teve a cabeça decepada chocando-se contra um caminhão em um autódromo da Grã Bretanha. Como Alessandro Zanardi, Villota era uma prova de superação de pilotos que quase vão a óbito durante as corridas, mas dão a volta por cima. Maria de Villota, faleceu aos 33 anos em Sevilha na Espanha. As causas da morte ainda não foram divulgadas oficialmente.

A força da obra de Wim Mertens

Trilha sonora do filme "Nós que aqui estamos por vós esperamos" de Marcelo Mazagão, 1999. Disponível em DVD. 

David Tame (1984), na poderosa obra "The Secret Power of Music", Editora Cultrix, já antecipara em pelo menos vinte anos a ideia de que a música é uma relação tridimensional do homem com a existência. Veja e ouça o clip abaixo na condição de perceber que você como a música é uma criação que está além do que se supõe visível e perceptível.

Musicalmente absoluto! Maravilhosamente sonora!




Por onde caminhavam os gênios da erudição moderna. A contemporaneidade é mais esperançosa pois soube preservar a magnitude criativa da música essencial. Veja e ouça se seu espírito já se formatou ao plano da genialidade sonora dada pelo Criador.




Erudição, música inteligente, multiculturalismo, essência do espiritual (não religiosa), alma, sentimento... Ouça se reunir coragem para uma audição que transcenda!



Ouçam apenas os de espíritos elevados! Ouçam os que conseguem ir além...


Homenagens comunistas aos professores!

Cenas. Professores são humilhados no auge da "Revolução Cultural" na China comunista, 1966. Foto do acervo de Li Zhensheng.

Cenas. Funcionários públicos humilhados em praça pública pelos "revolucionários" de Mao Tse-tung no auge da "Revolução Cultural." China 1966. Acusação: "burocratas intelectuais que atuam contra o povo" (sic!) Foto do acervo de Li Zhensheng.


Cenas. Crianças, adolescentes e jovens, "soldados de Mao", lideraram a Revolução Cultural na China em 1966. Aí! Dê um "google" e pesquise os resultados. Foto do Li Zhensheng.


Cenas. A "Revolução Cultural" na China em 1966 tinha como objetivo essencial o extermínio dos "Quatro Velhos": velhas ideias, velha cultura, velhos costumes e os velhos hábitos. Para atingir os objetivos do Partido Comunista liderado por Mao Tse-tung, entre outros setores, os professores universitários foram perseguidos, humilhados e executados. Foto do Li Zhensheng.



segunda-feira, 15 de julho de 2013

Polêmica! (o melhor do blog 2009)

O texto abaixo compôs um post do antigo blog donideias2009. Gerou muita polêmica entre meus colegas de trabalho e de curso de Pedagogia. Ainda gerou muitos debates acalorados no ambiente de aprendizagem da UMESP. Creio valer a pena reproduzi-lo nesta nova proposta, até porque de todos as discussões, pouco se concluiu, pois trata-se de tema complexo. Data original da primeira publicação; 20 de março de 2010.

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Me perguntaram dias atrás, porque eu sendo um educador não escrevo mais no blog sobre Educação. “Você só fala de filmes e carros de corrida e de vez em quando, mal do Lula!” Pensei bem e a querida leitora que enviou-me um e mail irado comentando minha “alienação” momentânea que ignora temas essenciais, tinha de fato muita razão. E eis que volto ao tema Educação, fazendo-o com saudosismo e pisando em campo minado. Estudando o tema alfabetização para a apresentação de artigo científico para a UMESPem maio, foi inevitável passar pelo embate dos métodos utilizados no país para ensinar as últimas gerações a ler e escrever. Por várias décadas antes do surgimento e expansão do construtivismo, uma mistura do método fônico (sintético) com o global (analítico) foi base na formação de milhões de brasileiros. Esses métodos estavam expressos em cartilhas ricamente ilustradas que tinham entre seus vários objetivos, o da repetição incansável de sons, letras, sílabas e palavras. Um ícone desta época foram as cartilhas Caminho Suave. A educadora Branca Alves de Lima, criou a cartilha em 1948 junto com um método próprio que ela denominou “alfabetização pela imagem.” Acredita-se que a obra de Branca Alves tenha vendido algo próximo de 40 milhões de exemplares. Foram mais de 50 anos de história e que provavelmente se mesclaram com a minha e a sua. Aprendi com ela. Não me esqueço do “a” de abelha, “o” de ovo … Em 1995 a Caminho Suave foi retirada do catálogoMEC. Mesmo assim, fala-se que por ano sejam vendidas ainda, 10 mil exemplares! Saudosistas ironizando os modernismos pedagógicos dizem que; “para resolver os problemas de alfabetização do construtivismo, as professoras compram escondido uma cartilha para usá-la no reforço escolar…” Segundo a Wikipedia; “Especialistas em pedagogia afirmam que “Caminho Suave” e“Sodré” são os únicos métodos realmente brasileiros de alfabetização em português. O método da cartilha Caminho Suave começa pelas vogais, forma encontros vocálicos e depois parte para a silabação. O sucesso editorial seria devido ao fato de unir o processo analítico ao sintético, facilitando o aprendizado.” Após duas décadas de profundas reformas educacionais, onde inclusive aposentaram-se as cartilhas, grandes questionamentos surgem. Acredito no construtivismo como fundamento na ação alfabetizadora. Questiono a eliminação sumária de outros métodos, inclusive a aposentaria das cartilhas como a Caminho Suave. Os pífios índices educacionais e as legiões de crianças e adolescentes que mal sabem escrever o próprio nome são indicativos que apontam para a necessidade de rever a insistência do MEC em impor o construtivismo como ação única na alfabetização. O debate pode cair numa luta inútil e sectária entre novas e velhas gerações de educadores. Fica então o que é mais “suave” às velhas gerações. A infinita saudade dos tempos do “b” de barriga, do “f” de faca, do “j” de jarro…

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Manifesto

Por estar de férias em três dias "devorei" o Manifesto do Nada na Terra do Nunca, Lobão, Editora Nova Fronteira. Parte de um pacote de livros que programei ler neste mês insosso fora das salas de cinema, das estantes das livrarias e dos cantos de leitura domésticos. Pelas polêmicas causadas por ocasião do lançamento em maio, esperava bem mais do livro. Chiadeiras de Caetano Veloso, Mano Brown entre outros só potencializaram a curiosidade pelo livro. O estilão desbocado e sem freios do Lobão, sempre me chamaram a atenção, principalmente quando comenta a penúria da nossa cultura contemporânea. Em especial, a música. Esse lixo em que se transformou o que temos que aturar por aí. No programa Pânico da Rádio Jovem Pan, Lobão comprou uma batalha com fãs destes moleques que hoje se aventuram no sertanejo. Afirmou que este tipo de música causa "feridas no cérebro", incuráveis para sempre! Ótimo! A proposta do livro é legal. Questionar porque nos limitamos a tão pouco em tudo? Porque resultados pífios em tudo nos acalenta por auto nos proclamarmos o mais baixo dos povos? Porque toda complexidade é tão execrada? E eis que surge um roqueiro para levantar tais lebres. Nos capítulos introdutórios Lobão repete a exaustão alguns avisos; "Indefectíveis indagações," "É certo que muita gente vai criticar  este livro só de orelhada, a partir de frases  tiradas do contexto  e de uma visão estereotipada do autor.""Quem é você, seu roqueiro, para falar de MPB, choro, bossa nova...!?" E por aí vai. Há muita polêmica. E selecionei alguns pontos para entrar nesta "doideira" conceitual a respeito dos pensamentos reinantes deste país. Digo pra todo mundo. "Esse país é um porre!" Os motivos são tantos. Para começar trabalho em Educação a vinte anos! Precisa mais? Abaixo os trechos que selecionei do livro. Não foram os mais polêmicos na mídia. Mas gostaria de comentá-los:
1 - Funk; "O funk carioca é uma das raras exceções, pois importou a batida do Miami sound e se apossou, em plena favela, de recursos eletrônicos, transformando o funk num grito de guerra, sexo, o mais genuíno estilo que o morro produz hoje em dia." (...) Alguns de vocês, podem pular da poltrona, ter um acesso apoplético, voar na minha carótida e vociferar: "Mas o funk é grotesco, sexista, violento, obsceno, tem letras horríveis, de articulação gramatical que beira a dialetos neolíticos (...)delírio a entoar cânticos guturais(...) - página 47 -  Lobão aposta que o funk atual é a última das fronteiras com relação a música no Brasil, isenta de reinvenções por parte do intelectual de esquerda. Prefiro apostar que de fato o funk é uma fronteira. Mas para mim é o limite da sanidade musical. O funk dá fim a música no Brasil. Creio que como Lobão afirma a não reinvenção do ritmo se dá ao fato de ser um produto impossível de se recriar, tamanha porcaria que se configura. O estilo criou uma geração acéfala no que diz respeito a música. Tornou bossal uma geração inteira de jovens pela falta de rumo. É lixo Lobão. É lixo! Não tem jeito! Não há explicação conceitual que dê conta disso! 
2 - Movimentos de rua; "As falcatruas mais escabrosas são expostas sem que haja algum tipo consistente de protesto, muito pelo contrário, os índices de aprovação ao governo só aumentam." - página 190 - Lançado em maio de 2013, nem o livro previu a onda de protestos pelo país. Verdade, "inconsistentes" na visão do autor. Mas que derrubaram a popularidade deste frágil governo. Agora o estilão "sem rumo" do movimento é fruto do que o autor vocifera no livro todo, nossa pobreza cada vez mais gritante em vários aspectos da nossa cultura letrada. Ou na Antropofagia conceitual de Oswald de Andrade?
3 - Roberto Freire; "(...) assim que um jornalista me perguntou em quem eu iria votar, respondi entusiasmado, sem titubear: no Roberto Freire! Imaginava Roberto Freire ser o famoso psiquiatra e escritor de livros que havia lido com sofreguidão, como o iconográfico Sem tesão não há solução, criador (...) lá vou eu me encontrar com o Roberto Freire, quando sofro um baque. Era outro Roberto Freire! (...) sem mais delongas, caio no colo do Partido Comunista Brasileiro!"
O livro tem outras passagens igualmente engraçadas. Mas faltou mais "porrada", principalmente em movimentos já criticados pelo roqueiro. Como por exemplo, o atual sertanejo. Malhar a política nacional tem sido lugar comum e neste aspecto o livro acrescenta, mas não inova. A mim particularmente, depois de um década de governo de "esquerda", "essa" esquerda eu não tenho mais dúvidas do engodo histórico que vivemos. De dentro de uma escola pública também escreveria meu Manifesto do Nada, com mais acidez e violência verborrágica. Mas Lobão é nosso Chaplin fora das telas de cinema. Polêmico e a frente do seu tempo. Conta-se nos dedos de uma mão nomes da cultura nacional que se aventuram ser "do contra" e se expor desta forma. Pudera o Brasil ter uma dúzia de Lobão a bater com força neste "porre" conceitual de país em que vivemos. Mas quando? Quem sabe quando o ensino público for descente e conseguir retirar 9 milhões de jovens e adolescentes das ruas, fora da escola ouvindo funk. Êca! Sugiro a leitura da entrevista do Lobão na Rolling Stone de maio. A achei muito mais polêmica do que o livro! Pelo menos mais direta, como por exemplo chamar Gilberto Gil de "canalha" sem milongas!


quarta-feira, 10 de julho de 2013

"Dores" de um protesto!

Também já fiz protesto. Participei de passeata. Ajudei a "ocupar" e "travar" a Avenida Paulista. Já segurei cartazes protestando contra o sistema. Sei bem o que significam os olhos ficarem semanas lacrimejando depois do protesto. Escapei das balas de borracha, mas não de "pagar a conta" do alto custo do "movimento!"
Eu mesmo! Em entrevista a jornalista do Correio Popular sobre o hollerith "zerado" em razão dos descontos de salário por 41 dias de greve. (2001)

terça-feira, 9 de julho de 2013

Post pop! Mad...

Da série de posts legais do blog donideias009, a publicação abaixo de 27 de fevereiro de 2010, recupera uma das minhas paixões da adolescência. A leitura de gibis.

Mad
Nos anos 70 morei no Cambuí próximo ao Centro de Convivência de Campinas. Estudar na escola Carlos Gomes, ver os seriados enlatados da Globo todas as manhãs, juntar grana para comprar aquele All Star cano longo vermelho, eram as paixões dos adolescentes. Leitura mesmo, só os gibis do Tio Patinhas e Zé Carioca, além é lógico da revista Mad. Surgida em 1952 nos EUA, só chegou ao Brasil mais de 20 anos depois. Dificuldades no encontro de uma editora que topasse a tradução de uma revista de humor tão ousada, a Mad passou a fazer parte das leituras dos brasileiros quase na mesma época que comprei meu primeiro número. A capa ao lado é de março de 1975 e foi esta revista que adquiri usada em 1977. Desde então passei a me divertir com as sátiras dos vários cartunistas liderados por Alfred Newman, o mascote que lembra um molecão com cara de bobo, talvez indicando o perfil dos leitores da revista. Maiores informações acessem:

Fornalha "Reload"

Entre abril de 2009 e novembro de 2010, mantive um blog no antigo Blig, espaço do Portal IG para blogs. Este, deixou de funcionar em maio último. Alguns dos textos que publiquei lá, estavam backupeados. Vou publicar neste blog a partir de agora, os textos que considero de uma série de bons temas que geraram polêmicas entre meus então leitores. O texto abaixo foi originalmente publicado em 5 de dezembro de 2009.
Fornalha
“A free-way estava coalhada de carros. De uma amurada a outra, nenhum espaço. Ao luar, via os radiadores enegrecidos, capôs corroídos, vidros partidos ou cobertos de pó, faróis vazados. Surgiram de repente, ao rastejarmos pela lombada. Na sua imobilidade davam a sensação de velocidade. Fantasmagóricos, como esqueletos de dinossauros em museus. Bando de monstros, mortos subitamente em pleno ataque. (…) Isto me vem à cabeça, ao ver estes velhos carros, talvez os últimos do grande sonho brasileiro. Logo depois do Notável Congestionamento, as fábricas foram fechadas e milhares de pessoas ficaram nas ruas. Os que trabalhavam na fabricação e os que viviam das indústrias paralelas. Um tempo de grande dor. Pois é, restos do Notável Congestionamento. Mas já retiraram os carros de quase todos os lugares. Foi fácil fechar as estradas. Aqui mesmo são duzentos quilômetros de congestionamento. (…) Quem ía pensar que um dia íamos sentar tranqüilos entre os carros na estrada? Estão aí mortos. Quanta lata velha. Os carros ficaram parados dois anos em frente à minha casa. (…) Buzinavam, aceleravam podia ver o ar preto. A maioria esgotou a gasolina e o álcool do tanque. Ninguém desligava o motor. Pela manhã as pessoas continuavam no carro. Como se pertencessem a ele. (…) As famílias traziam mudas de roupa, café, comida. E o desespero quando souberam que não circulariam mais? Choravam diante do automóvel, inconsoláveis, lamentando como se fosse parente morto.”
Prezado leitor. As informações acima não se referem a nenhum grave congestionamento em nossos dias. Extraí trechos do livro de Ignácio Loyola Brandão, “Não Verás País Nenhum“, escrito nos anos 80 do século passado, mais exatamente em 1982. Trata-se de uma ficção. Em um futuro imprecisamente distante, é impossível a vida na Terra mediante o contato direto com o Sol. O desequilíbrio ambiental cria uma visão apocalíptica de um mundo onde a vida só continua em baixo de lajes anti solares. A princípio o livro é apenas um primor ficcional. Mas olhando pelas janelas do meu carro, creio que Brandão foi premonitório. Estaríamos às vésperas do tal “Notável Congestionamento?” Infelizmente as desconfianças não são apenas visuais. A cidade de São Paulo registrou 293 quilômetros de congestionamento em um dia de junho deste ano. O maior da história. O maior do mundo! Segundo o professor Marcos Cintra, doutor em economia por Harvard, os congestionamentos podem custar aos cofres de um país, até R$ 26 bilhões! Atrasos, acidentes, compromissos cancelados e desgastes das frotas mais acelerados do que o normal. Paralelo aos problemas do trânsito, uma indústria automobilística cada vez mais agressiva. Baixa dos preços, multiplicidade de modelos, sofisticação sem limites e os governos “contribuindo” com a letárgica política de manutenção e ampliação da infra estrutura. Bem, só resta esperar então o “Notável Congestionamento.” Espero que quando ele acontecer, meu carro esteja pelo menos pago! :-)

Eu, 1972!

Dos melhores posts no Facebook. Esse é de 20 de agosto de 2012
"Eu também já fui aluno. Hoje, sou professor! Mas fui mais ALUNO do que PROFESSOR em toda a minha vida! A todos os meus antigos e novos professores, meu grande respeito e admiração. Sem vocês, não seria PROFESSOR! (foto: 1972!)"

domingo, 7 de julho de 2013

16 meses

Postava aqui no blog pelo menos um post a cada dois, três dias! O embalo durou até março de 2012. Vieram problemas familiares, depressão, tratamento e o desânimo. Vi a debandada de leitores para o Facebook e lá fui eu atrás. A depressão foi curada! O tratamento acabou. O ânimo voltou. Mas recriei minha própria marca no Facebook. Está na hora de voltar. Vou atualizar o blog e trazer textos do anterior, donideias009, que saiu do ar. Vou trazer para cá, o que de melhor escrevi no Facebook. Ficará aqui meu legado de escritos pós pensantes! Abraço a todos!

sábado, 3 de março de 2012

Feridas

Zeca Baleiro já citado neste blog, um compositor ímpar da nossa "pobre" MPB contemporânea, compôs e canta Minha Casa, música do seu terceiro álbum, Líricas. Veja que belo!
É mais fácil cultuar os mortos que os vivos,
mais fácil viver de sombras do que sóis,
é mais fácil mimeografar o passado
do que imprimir o futuro,
não quero ser triste
como o poete que envelhece
lendo Maiakóvski na loja de conveniência
Assim meu consciente processou uma alternativa trilha sonora durante e ao final do Tão Forte, Tão Perto, de Stephen Daldry, em cartaz nos cinemas desde a última sexta 24 de fevereiro. Além de Tom Hanks e Sandra Bullock no elenco, o filme revela Thomas Horn, no papel principal de um órfão de pai após os trágicos acontecimentos de 11 de setembro de 2001 nos EUA. Os estadunidenses sempre tão aptos a resgatar fatos históricos em versões tão impactantes no cinema, parecem silenciados com relação a onda terrorista que assolou o país em 2001. Poucos filmes retomam os fatos deste dias. O filme Tão Forte, é uma adaptação a partir do livro Extremamente Alto & Incrivelmente Perto de Jonathan Safran Foer. Um garoto típico novaiorquino é dispensado das aulas numa terça feira, onde fatos horríveis assolam sua cidade. Custa para Oskar entender que seu cultuado pai é uma das vítimas que provavelmente saltou do 106° andar de uma das Torres Gêmeas em chamas. A tragédia se segue nos anos posteriores com as dores típicas da ausência, das culpas pelo não vivido e uma misteriosa chave que deve conter um dos segredos paternos cravados na própria cidade. Um filme triste e intimista. O garoto parece vítima de inúmeros transtornos mentais e emocionais. Acelerado, incontido e triste, "rasga" a cidade e os sobreviventes em busca da solução do mistério da chave. No fim, percebemos que o 11 de setembro é um pano de fundo. Não são necessárias grandes explicações e muitas imagens. Este triste dia parece gravado em nosso inconsciente e as tais feridas vão além da tela do cinema.


domingo, 26 de fevereiro de 2012

Se algo pode, então vai dar mer....

Uma das maiores peculiaridades da rápida evolução do homem no planeta, foi sua capacidade de adaptação a praticamente todos os ambientes que lhe foram oferecidos pela Mãe Natureza. Os que não foram, o homem se encarregou de criar por conta fazendo uso e abuso de outra peculiaridade humana, a sapiência (inteligência). Voar a alturas inimagináveis sem asas, submergir as maiores profundidades sem pulmões preparados, correr além dos limites do próprio físico, enfim o homem coleciona barreiras naturais derrubadas pela força mental. Agora é óbvio que uma vez não natural, é esperado que em algum momento as coisas talvez não deem tão certo como se imaginou em qualquer planilha técnica. Se até os pássaros de vez em quando tem lá suas quedas, o que imaginar do homem sem asas? Se até os peixes e todas as outras formas de vida marinha de vez em quando tem lá suas limitações e falhas naturais, quanto mais o homem, que apesar de originário também da água se adaptou mais na superfície? Só desta forma consigo entender a tragédia do último dia 24 no parque Hopi Hari. Pior do que a vítima cair dos 30 metros  foi o fato de ser "arremessada" desta altura o que talvez tenha dado um impacto três vezes maior do que o natural. Confesso que nunca simpatizei com esses brinquedos radicais em parques de diversão. E por ser hipertenso, passo até longe deles! Creio que desde que os conheço, o número de acidentes até que foi pequeno mediante o perigo que representa. Não se trata aqui de discutir um eventual mal funcionamento ou falha humana. Penso  na própria ousadia do homem em desejar superar o que naturalmente jamais o faria, estar a causa real de todas as tragédias conhecidas. Se pode acontecer, vai acontecer! . Sei que esse "filosofar" é inútil diante de uma vida tragicamente perdida. Mas que cada um de nós reflita sobre esse "aviso!" 

Dama da História

Às vésperas da Revolução Cubana (1959), o então comandante Fidel Castro, após frustradas tentativas de derrubar o então presidente Fulgêncio Batista, foi preso e em seu julgamento, advogando em causa própria, proferiu um dos mais conhecidos bordões da política contemporânea; "a História me absolverá..." A lembrança foi mais do que presente quando as luzes do cinema se acenderam com o "the end" do belo Dama de Ferro (The Iron Lady, 2011, direção Phyillida Lloyd). Alternando as crises de alucinações, solidão e todos os limites que a idade e a aposentadoria trazem com o vigor idealista e político de Margareth Thatcher, o filme é uma excelente aula de História para as novas gerações que desejam entender as crises econômicas atuais na Europa. Numa Inglaterra conservadora, Thatcher chega ao poder máximo derrubando desde o machismo secular do poder inglês até as ultra potências de esquerda então nos anos 80 postados no Trabalhismo britânico. A Dama de Ferro, assim "titulada" pelos soviéticos foi para a guerra, literalmente contra os gastos excessivos do estado, contra os aventureiros argentinos nas Malvinas e até no seu alinhamento com os Estados Unidos, então comandando pelo não menos polêmico Ronald Reagan. Atento aos diálogos percebe-se ao discurso premonitório da quebra da Grécia e na falência do estado de bem estar social europeu. Há falas do tipo "tudo deve ser pago, nada de graça, se não as pessoas não dão valor..." Sua queda após dez anos de poder (1979 - 1990), começou na resistência com o que hoje cada europeu tem pesadelos, a própria União Européia. De fato, a História deu razão a Margareh Thatcher. Agora, a interpretação de Meryl Streep é um capítulo à parte dentro de outra História, a do cinema.